CidadeDia Internacional da Mulher

Primeira-dama de Itatiba destaca avanços na posição da mulher na sociedade

Barbara Zaratini ainda acredita que faltam mais conquistas, mas Itatiba tem criado políticas voltadas às mulheres

À frente do Fundo Social de Solidariedade de Itatiba, vinculado à Secretaria de Governo, a primeira-dama Barbara Zaratini Capeletto de Oliveira é atenta às responsabilidades que o órgão encarna e como suas ações impactam a vida da cidade. As palavras social e solidariedade funcionam como verdadeiro imã que coloca as mulheres no centro das atenções de forma natural. Com agenda cheia por conta dos eventos em torno do Dia Internacional da Mulher, Barbara respondeu por e-mail as perguntas enviadas pelo Jornal Itatiba Hoje.

IH – O Dia Internacional da Mulher foi instituído pela ONU em 1975. São 49 anos. Na sua avaliação, quais os principais avanços?

BZ – Sem dúvida, existem muitos avanços que marcam a posição da mulher na sociedade como um todo. No entanto, ainda caminhamos a passos bem lentos. Por exemplo, as mulheres ainda não ganham o mesmo que um homem exercendo as mesmas funções. Ainda temos muito a evoluir e conquistar. Não posso dizer que a mulher votar e ter direito a participação em votações seja um direito adquirido, porque isso deveria ter sido normalizado desde o começo. Não são avanços, são direitos iguais.

IH – O Brasil é lento na implementação de medidas de proteção e respeito reivindicadas pelas mulheres?

BZ – Sem dúvida, do meu ponto de vista, sim. Não posso dizer o mesmo da nossa cidade, que vem avançando muito com políticas voltadas às mulheres, como por exemplo, a Casa Rosa, unidade do Fundo Social que é uma referência em Itatiba no atendimento às mulheres (ou aquele que se considera do gênero feminino) vítimas de agressão e em vulnerabilidade, além das diversas ações voltadas para mulheres, como exemplo, o protocolo “Não Se Cale” que será implantado nos bares e restaurantes de nossa cidade para dar apoio à mulher que está sofrendo uma violência no local.

IH – Atualmente, qual o principal problema enfrentado pelas mulheres no Brasil? Cite outros que considera fundamentais.

BZ – A violência contra as mulheres, sem dúvida, atinge números impressionantes. A mulher é vista ainda, muitas vezes, como um objeto pertencente a alguém e não a ela mesma. Isso precisa ser normalizado, entendido e respeitado: nós mulheres pertencemos somente a nós mesmas.

IH – O Fundo Social de Solidariedade tem uma linha de atuação nitidamente voltada para a causa feminina?

BZ – Sim. A causa feminina é uma das importantes áreas em que atuamos, assim como o suporte aos idosos e crianças. Além de ações gerais, temos o apoio às gestantes em situação de vulnerabilidade atendidas pela saúde pública (Projeto Meu Bebê), que garante a elas acesso à informação sobre maternidade, por meio de palestras, e kits de enxoval básico. Além disso, temos diversos cursos e palestras, a maioria pelo programa FormAção, que buscam empoderar as mulheres, preparando para o mercado de trabalho e também para empreender, ter sua renda própria, e, assim, com essa autonomia – auxiliar que elas tenham oportunidade para seguir adiante, independentes. É o caso da Mostra Criativa, que abre espaço como uma grande vitrine para artesãs – ainda que não seja exclusivo às mulheres, elas são a grande maioria das expositoras. Neste domingo, dia 10, inclusive, tem a primeira Mostra do ano, no Parque Luís Latorre a partir das 9h até às 17h.

E, claro, a já citada unidade Casa Rosa da Mulher, que trabalha especificamente a causa feminina em nossa cidade e é hoje uma referência no atendimento à mulher e a aqueles que se identificam sendo do gênero feminino. A Casa Rosa conta com mais de 4 mil atendimentos desde sua inauguração, em julho de 2022, mostrando a ampla adesão à proposta.

IH – Quais as linhas de ação com maior retorno positivo para a população como um todo?

BZ – O atendimento às mulheres em situação de violência e vulnerabilidade nos dá o retorno social em resposta à obrigação que o poder público tem de atender essas demandas. No entanto, a prevenção e atenção às mulheres, em ações que buscam seu autoconhecimento, autonomia, liberdade, e mais, surtem efeito a longo prazo. E são com essas ações que damos os grandes passos para buscar o verdadeiro reconhecimento da palavra respeito.

IH – Quais as principais demandas que chegam à Casa Rosa da Mulher – Centro de Referência em Atendimento à Mulher de Itatiba e quais as dificuldades para atendê-las?

BZ – Infelizmente os casos de violência e agressão (física, emocional e financeira) são os casos que mais chegam à Casa Rosa. E a dificuldade que encontramos para resolvê-los infelizmente, ainda é em relação à burocracia para resolução de demandas urgentes, que não é um obstáculo só no nosso município, mas sim um obstáculo enfrentado por todos nós em diferentes áreas.

IH – A questão da violência contra a mulher pode ser combatida além das esferas policial e judicial?

BZ – Pode sim e deve. À violência contra a mulher é uma agressão que deve ser combatida diariamente, na nossa casa, no nosso trabalho, no âmbito familiar. Naquela amiga que ajuda e não fala mal da outra que vive a situação, que escuta, que entende, que estende a mão. Que não acha que é frescura a reclamação.

Pode-se combater também no respeito e na educação que damos aos nossos filhos e filhas, que devem aprender desde pequenos que “não é não” e ninguém deve ser forçado a nada.

IH – As mulheres idosas estão mais abertas à participação nos programas de inserção social? Existem opções de vida social para elas?

BZ – Temos o convívio com nossas idosas do Centro de Convivência do Idoso – CCI, e posso afirmar, sem dúvida, que elas estão sempre muito abertas, interessadas em participar das atividades. Hoje no Centro do Idoso a participação é predominantemente feminina, e as mulheres estão sim sempre muito interessadas. As atividades que temos no Fundo Social hoje incluem as pessoas com 50 anos ou mais.

IH – A participação política das mulheres está em alta aqui em Itatiba?

BZ – Em nossa cidade temos uma participação política de mulheres, mas ainda poderia ser maior – do meu ponto de vista. Participar nem sempre é se envolver, vemos que, às vezes, as mulheres participam, mas não se envolvem e isso precisa ser melhorado ainda em nosso cenário. Gostaria de ver mais mulheres como a vereadora Leila Bedani, por exemplo, que atua de uma forma que toda população pode perceber, pensando no próximo e nas mulheres de forma ativa e efetiva.

IH – A senhora tem filiação partidária? Já cogitou uma candidatura?

BZ – Sou filiada ao PSBD por questões políticas e não cogito nenhuma candidatura. Apoiar o Thomás sempre foi o meu partido e é assim que vou seguir. Posso dizer com toda segurança que ele é um homem que sabe ouvir muito bem as mulheres e isso faz toda a diferença no modo como ele conduz nossa cidade.

IH – Existe diferença significativa entre o olhar feminino e o masculino na condução de políticas públicas?

BZ – Ah, eu acho que sim! Claro que – como mulher – vou dizer isso e defender nosso lado. Mas não é só por ser mulher. É por ver que nós podemos ser firmes, certeiras e racionais, sem perder a doçura e a empatia. Mas o que eu torço mesmo é para que isso não exista e que a gente não precise mais de um dia para sermos lembradas e respeitadas.

IH – O FSS atua no encaminhamento de demandas na área de saúde?

BZ – O Fundo Social atua no encaminhamento de várias frentes. Nossa missão é social, de atendimento, atenção, cuidado, informação e, atualmente, de formação e qualificação por meio do programa FormAção. Mas qualquer demanda que chega, a nós cabe ouvir e encaminharmos para quem for a competência em resolver, porque isso faz parte da nossa obrigação em lidar e acolher pessoas. Ouvimos, e se não for da nossa competência, encaminhamos para quem quer que seja.

IH – O que mais gratifica e o que entristece no trabalho feito junto à comunidade feminina da cidade?

BZ – A gratificação vem quando vemos uma mulher, por exemplo, na Mostra Criativa que começou a se manter sozinha, saiu de um relacionamento abusivo por meio de seu trabalho e esforço, que está seguindo sua vida feliz graças ao que aprendeu e agora vende para fazer disso seu sustento. Vem quando alguém nos conta que a bolsa que ganhou 100% para estudar na universidade mudou sua vida! Isso é o que nos deixa felizes! Vidas sendo mudadas para melhor. Infelizmente o que entristece é que nem sempre as pessoas veem as coisas pelo lado bom, e na política isso se potencializa. Você está tentando fazer alguma coisa boa e tem pessoas atrás tentando estragar tudo. Mas a gente segue firme. Isso entristece, mas não desanima!

IH – O que os homens individualmente e a sociedade como um todo precisam entender sobre a importância do máximo respeito às mulheres para o bem de toda a estrutura de crescimento do país?

BZ – Não diria dos homens só, mas de todos mesmo, que precisam entender que a mulher não pertence ao marido, ao pai ou ao namorado. Os homens principalmente precisam entender isso. As mulheres, assim como os homens e qualquer outro gênero, pertencem a elas mesmas. Elas são livres para fazer o que quiserem da forma que lhes for mais conveniente. E nunca esquecer que “não é não”. O não diz tudo e não precisa de explicação.

IH – As empresas ainda encaram a maternidade como empecilho para o progresso feminino na estrutura das organizações? Fale um pouco sobre isso.

BZ – Infelizmente isso não é impressão. É uma realidade dura enfrentada por nós mulheres. Ter filhos ainda é um peso para a mulher na sociedade. Ninguém, nos dias de hoje, vem ao mundo se não for através de uma mulher, e ainda assim isso é um obstáculo imenso para ela. São tantas situações que poderiam ser atenuadas se a sociedade compreendesse isso. Muitos patrões só veem seus lados ao invés de apoiar as mães, quando na verdade um simples ajuste de horário, uma oportunidade e uma simples conversa poderia fazer toda a diferença.

Por Cid Barboza/Itatiba Hoje – Foto: Divulgação