De Itatiba para os tatames dos EUA: Anthony Silva constrói carreira no jiu-jitsu
Itatibense que começou a treinar aos 3 anos, tornou-se bicampeão mundial e hoje ministra aulas nos Estados Unidos ainda mira novos títulos e o sonho de abrir uma academia ao lado da esposa
A relação de Anthony Silva com o jiu-jitsu começou praticamente junto com a própria vida. Antes mesmo de entender o que o esporte representava, ele já tinha dentro de casa a principal referência para dar os primeiros passos nos tatames: o pai, que também treinava.
Aos 3 anos de idade, Anthony começou a praticar jiu-jitsu. O que nasceu dentro da família, porém, aos poucos ganhou novos contornos e se transformou em um projeto de vida. Por volta dos 15 anos, o itatibense passou a encarar o esporte de maneira profissional, chegando a fazer de três a quatro treinos por dia em Itatiba.
Foi nesse período que ele percebeu que poderia transformar a paixão pelo jiu-jitsu em carreira. Os resultados começaram a aparecer, assim como os primeiros patrocínios. “A partir do momento em que eu vi que era bom e que estava ganhando alguns campeonatos e patrocínios começaram a aparecer e aí eu vi que talvez isso poderia ser minha carreira profissional!”, conta.
Uma trajetória construída em Itatiba
Antes de chegar aos Estados Unidos, Anthony percorreu diferentes academias e espaços de treinamento em sua própria cidade. Ele lembra que começou a treinar com o mestre Juliano Belgine, passando posteriormente por outros locais até chegar ao Itatiba Esporte Clube (IEC).
Foi também em Itatiba que começou uma fase marcada pela busca constante por evolução. Anthony passou a dividir seus treinos entre o Itatiba Esporte Clube, a antiga NS Brotherhood e a Atos Itatiba. Além dos treinos de jiu-jitsu, incorporou a musculação à rotina.
A dedicação, entretanto, fez com que ele buscasse ambientes cada vez mais voltados para a preparação competitiva. O objetivo era treinar ao lado de outros atletas que também viviam o esporte em alto nível. Foi então que passou a treinar na Almeida JJ JFC, em Itaquera, na capital paulista.
A mudança de rotina trouxe resultados expressivos. Ao longo da carreira, Anthony conquistou dois títulos mundiais e um título europeu, além de mais de dez títulos em Opens da IBJJF, entre outras conquistas pela CBJJE.
Os títulos acabaram abrindo uma porta que mudaria novamente os rumos de sua trajetória: a oportunidade de treinar na Atos, em San Diego, nos Estados Unidos, com André Galvão, nome de destaque do jiu-jitsu mundial.
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Do interior paulista para os Estados Unidos
A ida para os Estados Unidos representou uma nova etapa. Se no tatame Anthony já vinha acumulando experiência e títulos, fora dele precisou lidar com desafios que nada tinham a ver com competição.
A distância dos pais, a alimentação, o idioma e a ausência dos amigos fizeram parte das dificuldades encontradas durante a adaptação a um novo país.
Ainda assim, foi nos Estados Unidos que surgiu também uma nova oportunidade profissional. Por meio de uma relação do sogro, Anthony conheceu o proprietário de uma academia e começou a trabalhar como assistente. Com o tempo, assumiu novas responsabilidades e chegou à posição de professor.
“Hoje graças a Deus tive a oportunidade que meu sogro tinha um amigo que tem uma academia onde eu comecei sendo assistente e hoje eu sou o professor, só tenho a agradecer a Deus pelas oportunidades”, afirma.
Ainda há muitos títulos pela frente
Apesar das conquistas acumuladas, Anthony não considera sua trajetória concluída. Pelo contrário. Aos seus olhos, os principais objetivos ainda estão no caminho. Um deles é especialmente simbólico: conquistar a faixa-preta. O atleta também mira novos títulos mundiais e pretende buscar todas as conquistas possíveis dentro do esporte. “Meus objetivos no jiu jitsu ainda não foram conquistados tenho muito ainda pela frente, principalmente por ainda não ser um faixa preta”, explica.
Os planos não se limitam às competições. Para a vida pessoal e profissional, Anthony também pensa na construção de um legado e em um futuro ao lado da esposa. Entre os projetos está a possibilidade de, mais adiante, abrir uma academia dos dois.
“Na minha vida pessoal quero começar a fazer meu legado, para quando estiver mais velho poder ter uma renda, e no profissional talvez mais para frente quero poder abrir uma academia eu e minha esposa!”, conta.
“Planta agora e colhe depois”
A história de Anthony também carrega uma mensagem para quem está começando. Para ele, transformar o jiu-jitsu em profissão exige dedicação, disciplina e disposição para fazer escolhas no presente pensando nos resultados do futuro.
O conselho vale especialmente para os jovens que sonham em seguir carreira no esporte, mas também para qualquer pessoa que esteja dando os primeiros passos nos tatames. “Se você acabou de começar, e quer levar para uma vida profissional, você tem que dedicar sua vida nisso”, afirma.
Anthony reconhece que a trajetória exige sacrifícios, mas acredita que eles fazem parte da construção de uma carreira. Para resumir essa visão, recorre a uma expressão que, segundo ele, faz parte da linguagem do esporte: “planta agora e colhe depois”.
Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Foto: Arquivo pessoal

