As eleições ocorridas no dia 2 de outubro e seus reflexos no poder político de Itatiba
No último domingo, dia 2 de outubro, ocorreram as eleições nos níveis estadual, distrital e nacional. Destas, foram eleitos 513 deputados federais (70 por São Paulo, a maior bancada, para se ter uma ideia a menor tem 08), 94 deputados estaduais para a Assembleia Legislativa paulista e 27 senadores (01 senador para cada dos 26 Estados da Federação e 01 do Distrito Federal). Cabe lembrar que cada Estado e o Distrito Federal possuem igualmente 03 senadores, que são eleitos alternadamente na proporção 2/3 e 1/3 a cada 04 anos, pois o mandato do senador é de 08 anos, ao contrário de todos os outros que possuem mandato de 04 anos, totalizando assim 81 senadores no País. Neste ano a eleição para senador foi de apenas uma vaga por Estado e pelo Distrito Federal. Em São Paulo já tínhamos eleito em 2018 os senadores Major Olímpio (sendo sucedido por Alexandre Luiz Giordano (MDB)) e a Mara Gabrilli (PSDB).
Em Itatiba, tivemos três candidatos oriundos da cidade: David Bueno (Solidariedade) para deputado federal, Leila Bedani (PSDB) e Douglas Augusto (PDT), ambos para deputado estadual.
A primeira pergunta que deve ser feita para entender os reflexos das eleições do último domingo com a cidade de Itatiba é: por que eles saíram candidatos? A ilustre leitora, o nobre leitor, pode pensar “ué, para ganhar!”, mas ledo engano, diríamos até que pensar assim trata-se de erro crasso mesmo, pois os três tinham a exata noção que não seriam eleitos, aliás, em um linguajar coloquial “nem de perto”.
Inicialmente vamos aos números

Itatiba possui 82.243 eleitores. Para os cargos de deputado (federal ou estadual) o sistema de eleição é proporcional, ou seja, não basta unicamente ter mais votos, é preciso atingir o chamado quociente eleitoral (QE = número de votos válidos / número de vagas) e o quociente partidário (QP = número de votos válidos do partido ou coligação / quociente eleitoral (QE)) para poder “alcançar uma cadeira”. Apenas para ilustrar o deputado federal com menor número de votos (Tiririca – PL) foi eleito com 71.754 votos, mas foi “puxado” por Carla Zambelli (PL) com 946.244 votos, Eduardo Bolsonaro (PL) com 741.701 votos e Ricardo Salles (PL) com 640.918 votos. David Bueno obteve 8.475 votos e precisaria ter mais de dez vezes de votos do que teve para tentar se eleger. Ele sabia disso, talvez o eleitor não. David Bueno é presidente do partido Solidariedade em Itatiba, fez “dobra” com o ainda deputado estadual Alexandre Pereira o qual obteve 1.440 votos em nossa cidade e é o presidente estadual do mesmo partido. David Bueno reforça seu nome para as eleições de 2024, antecipa sua própria propaganda eleitoral para eventual reeleição, ao contrário dos demais postulantes (exceção feita à Leila Bedani e ao próprio Douglas Augusto), portanto, não é perdedor, mas seu padrinho Alexandre Pereira não foi reeleito para deputado estadual, bem como, o próprio presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulinho “da Força”, também não reeleito.

Cabe destacar que o Solidariedade de David Bueno não elegeu nenhum deputado federal e não atingiu a chamada “cláusula de barreira” o que significa um sério comprometimento financeiro do partido, pois não terão acesso ao fundo eleitoral e partidário, bem como ao tempo de transmissão de rádio e televisão, principal moeda de troca das pequenas legendas. Na teoria, o não atendimento aos requisitos da cláusula de barreira não determina necessariamente o fim dos partidos, mas na prática é o que acaba ocorrendo. Além do Solidariedade, Patriota, PSC, PTB, Pros, Novo, PCB, UP, Agir, PMN, PMB e DC, não atingiram a referida cláusula.

Leila Bedani e Douglas Augusto, um embate à parte. Leila é a vereadora mais votada da cidade (1.505 votos) e Douglas Augusto foi prefeito, perdendo a reeleição (teve 19.901 votos) para o atual prefeito Thomás Capeletto (PSDB), o qual teve 20.503 votos. Aqui está o ponto central da nossa discussão. Ambos (Leila e Douglas) fizeram “dobra” na esfera federal, Leila com o Vanderlei Macris (PSDB) que teve em Itatiba 2.384 votos e Douglas com Maria Giovana (PDT), a qual teve 2.924 votos em Itatiba. Se a Leila “arrebentasse”, ou seja, se fizesse mais que o próprio Thomás fez em 2018 para deputado estadual (18.470 votos), se passasse dos 20 mil, “mataria” o Douglas na raiz e ainda poderia fazer sombra ao atual prefeito, em que pese serem do mesmo partido, Leila não é filiada ao PSDB há muito tempo, entrou agora à legenda e poderia sim pensar futuramente em sair candidata à prefeita. Douglas teve 13.904 votos, enquanto Leila teve 10.385. Em suas “dobradinhas”, Douglas também ganhou de Leila.
Por fim, tão importante quanto, a derrota do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, após 28 anos de hegemonia (nem ao 2º turno estará), representa uma derrota mais do que simbólica ao prefeito Thomás, pois seu governador e sua candidata foram muito mal, além do próprio Vanderlei Macris não ter sido reeleito. Se por sua vez pode ter ficado “feliz” com o “não estouro” da Leila, seu partido de protagonista no País, tendo dois mandatos presidenciais com Fernando Henrique (1995-2003), torna-se um partido pequeno, diria até inexpressivo.
Leila mostrou fraqueza (nem comentamos aqui a sujeirada dos santinhos nos locais de votação principalmente dos candidatos de Itatiba), não cativou e chega em 2024 sem fôlego para concorrer à prefeitura. Thomás se enfraquece por via colateral, pois sua candidata foi muito mal, bem como, seu governador e o partido como um todo.
Douglas, por fim, diminuiu seu capital político em pelo menos 6 mil votos, o que mostra, ao menos hoje, uma inviabilidade de candidatura à prefeitura em 2024.
Cabe destacar que o governador Rodrigo Garcia (PSDB), já declarou seu voto ao presidente Jair Bolsonaro (PL), bem como, ao Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas Tarcísio deixou claro sobre Garcia: “Vamos estar no palanque juntos? Não. Vamos ter adesões do PSDB porque faz sentido”, ou seja, é um “próximo à distância”, mero figurante.
Quem sair vencedor da eleição para o governo de São Paulo no próximo dia 30 que ocorrerá o segundo turno, seja Tarcísio de Freitas ou Fernando Haddad, teremos uma nova força no interior, que sempre foi hegemonia do PSDB…
Lembrem-se: 2024 “é logo ali”!
Por Alberto Gonçalves/Itatiba Hoje – Fotos: Divulgação

