CidadePolíticaSaúde

Demora no atendimento de UPA e Santa Casa de Itatiba vira motivo para vereadores pedirem esclarecimentos ao hospital

Vereador e presidente da Câmara, David Bueno, verificou pessoalmente a situação

Uma ação de fiscalização sobre o atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Itatiba resultou na apresentação de um requerimento que cobra informações detalhadas sobre a instituição. O documento é de autoria do vereador, David Bueno (Solidariedade).

Foto: Augusto Schiosi/CMI

O caso começou na quinta-feira (15) quando o vereador, que está na presidência da Câmara, foi verificar reclamações de demora excessiva, de 6 horas, para atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Os ânimos estavam acirrados e a conversa com o gestor da UPA, Clóvis Adriano Alves do Amaral surtiu efeito no sentido de agilizar o atendimento. Ele ficou lá das 20h às 22h30.

Foto: Cid Barboza

Da UPA, Davi Bueno seguiu para a Santa Casa de Misericórdia, que também gerencia a UPA, em busca de informações sobre falta de vaga na UTI para um paciente, cuja família dizia aguardar há uma semana. E foi aí que a situação desandou. Ele afirma que um segurança tentou impedir que entrasse no pronto-socorro, prerrogativa que o cargo lhe concede, já que uma das atribuições da vereança é justamente fiscalizar diversas modalidades de atendimento à população. A situação foi filmada pelo vereador com objetivo de se resguardar de acusações infundadas. Parte do vídeo foi exibido em plenário.

Foto: Reprodução/Vídeo

O segurança alegava cumprir ordens superiores para barrar a entrada do vereador. Durante o impasse, David Bueno recebeu um telefonema do provedor da Santa Casa, Emerson Ricardo Netto e garante que a conversa não foi amistosa. Da tribuna da Câmara, o parlamentar disse ter sido acusado de invadir a Santa Casa e tumultuar o ambiente. Ainda segundo o vereador, as explicações de que estava apenas cumprindo seu papel não foram suficientes para modificar o entendimento sobre o que estava acontecendo. A conversa teria sido encerrada pelo provedor após este mandar o vereador “tomar no…” e desligar o telefone.

Outro lado

O Jornal Itatiba Hoje ouviu o provedor da Santa Casa, Emerson Ricardo Netto, que reiterou a acusação de que o vereador David Bueno invadiu uma área restrita – o pronto-socorro – que deve ser protegida sob critérios sanitários de preservação aos pacientes, funcionários e até as pessoas não autorizadas que insistam em entrar sem os chamados EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

Foto: Reprodução/Facebook

Emerson Netto disse que o paciente estava internado na Emergência, um setor tido como “UTI de porta aberta” por conta dos cuidados oferecidos enquanto não sai uma vaga na UTI propriamente dita. Ele entende não ser o local ideal, mas é o possível de oferecer com as melhores condições nesses casos de pacientes terminais.

Ainda sobre o contato com o vereador, o provedor disse que tentou falar com ele por telefone duas vezes, mas não foi atendido e que depois o próprio David Bueno entrou em contato, quando a conversa descambou para o destempero verbal. Emerson Netto admitiu ter usado palavrões e desligado o telefone. Para ele, a condição de vereador não dá “voz sanitária” e o que deveria ser uma questão de interesse público se tornou algo de caráter pessoal, da parte do vereador.

A respeito da demora para atendimento na UPA, Emerson Netto esclarece que a maioria dos 60% dos usuários que recebem ficha azul para aguardar atendimento apresentam quadro que poderia ser resolvido em outras unidades, como por exemplo as UBSs. “A situação poderá melhorar muito com campanhas de esclarecimento junto à população, incluindo poder público e meios de comunicação”.

Óbito

O paciente que aguardava a vaga na UTI faleceu no dia seguinte. Importante alertar, a bem da verdade, que o estado de saúde dele era crítico. Isso não invalida a luta dos familiares em busca do melhor e mais digno atendimento naquela fase dificílima. O vereador pediu que a identificação do paciente não seja divulgada por falta de autorização da família.

O Requerimento 212/ 2023 foi aprovado por unanimidade e cobra da Santa Casa as seguintes informações:

  • Relação de funcionários, médicos inclusos, com função, salário e data de contratação.
  • Cópia do último contrato com a prefeitura onde foram estabelecidos reajustes dos valores pagos por cirurgias, exames e internações;
  • Cópia dos contratos de assessoria e consultoria;
  • Valor da dívida atual, se houver, tais como impostos, junto a fornecedores e trabalhistas, com identificação dos credores, valores, juros e multas;
  • Relação de consultas, exames, cirurgias e internações realizados nos últimos 18 meses e separados por SUS, particulares ou convênios;
  • Todas as receitas recebidas nos mensalmente, nos últimos 18 meses, de governos, convênios, particulares, doações, parcerias, isenções, repasses, emendas, etc.
  • Se existe contrato entre a Santa Casa e a empresa Unisaúde e, se for o caso, enviar cópia do documento;
  • Confirmação ou não da aquisição de placas de energia solar. Em caso positivo, os contratos para fornecimento e manutenção.

Esses questionamentos, segundo o provedor, serão devidamente respondidos após análise Jurídica, uma vez que há dados sigilosos nos contratos de convênios. Fora isso, o interesse é esclarecer tudo o que será cobrado pela Câmara Municipal.

O fato de a Santa Casa ser uma instituição sem fins lucrativos e que recebe dinheiro público é o principal argumento acatado pelos vereadores para justificar a aprovação do requerimento.

O vereador Dr. Ulisses, que é médico e membro adjunto do corpo clínico da Santa Casa demonstrou desconforto com o embate criado. Ele espera que tudo seja esclarecido mediante diálogo construtivo, cujo resultado signifique mais bem-estar para os usuários dos serviços de saúde em Itatiba.

Por Cid Barboza – Foto: Reprodução/Facebook