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Dia dos Pais ao lado de filhos e família ocorre na rotina diária mesmo sobrecarregada

‘Multipai’ Danilo Cardoso brinca e cuida do filho no Parque da Juventude

Danilo Cardoso, 28 anos, entende que é um “multipai”. Por volta de 11h de quarta-feira, ele estava prestes a deixar o Parque Luís Latorre (Parque da Juventude), um dos pontos de lazer mais conhecidos de Itatiba. Acompanhado do filho Davi Luccas, de 4 anos e 7 meses, portador de Transtorno do Défict de Atenção e Hiperatividade, popularmente conhecido como autismo, Danilo tem uma rotina agitada.

Foto: Cid Barboza

Separado há apenas dois meses, ele tem uma rotina diária com o filho que precisa de cuidados especiais. O diagnóstico de autismo foi confirmado quando Davi tinha 1 ano e oito meses e os pais estavam preocupados com a demora da fala. Exames foram realizados e não deixaram dúvida sobre a situação.

É muito comum em casos assim que os pais acabem tomando uma atitude de distanciamento, realidade facilmente observada nos consultórios e outros locais de atendimento onde as mães são predominantes, arcando com os enfrentamentos mais difíceis, Não raro, os pais vão embora alegando “não saber lidar”.

Quando a reportagem do Itatiba Hoje chegou ao Parque da Juventude em busca de personagens para uma matéria do Dia dos Pais, logo de cara encontrou os dois e Danilo mostrou-se disposto a participar. Morador do Jardim Centenário, o Parque da Juventude se tornou importante ponto de apoio para cuidar do Davi Luccas, inquieto e “com muita energia para gastar”.

Danilo cuida do filho de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h, quando chega a hora da escola, na verdade o Centro Escolar Municipal de Educação Infantil (CEMEI), Professora Andrelina Andreatta, no bairro Central Park. Lá o menino recebe cuidados até as 17h. Em sala de aula recebe suporte de uma professora-auxiliar, uma modalidade de aprendizado que vem ganhando força na rede pública. O pai comenta, com satisfação, que o filho tem progredido. Davi também tem acompanhamento na Dedicare Kids mediante convênio médico. Nessa esfera o tratamento inclui fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e outras atividades para desenvolver a capacidade de interação com as pessoas.

Foto: Cid Barboza

Horário alternativo

A rotina do Danilo Cardoso com o filho é mesmo diária. Aos sábados cuida dele das 14h às 20h e, aos domingos, o convívio é das 12h30 às 18h. Os demais horários ficam sob responsabilidade da mãe e da avó materna. Este esquema todo é possível porque Danilo, que é montador mecânico, trabalha no período noturno, portanto, ‘virado’ (sem dormir) passeando no parque.

Durante todo o tempo em que atendeu o Jornal de Itatiba, esse autoproclamado ‘”multipai” deu demonstrações de cuidado, carinho e paciência para com o filho. Era totalmente perceptível que ali havia muito amor envolvido, como se diz.

Ciente de que há uma batalha longa pela frente para manter o hoje pequeno Davi inserido num mundo que ainda engatinha na construção de uma sociedade mais empática, Danilo exercita constantemente a esperança. E faz isso com atitudes concretas. Perguntado se o autismo do filho teve influência na separação do casal, de imediato descarta essa possibilidade. “De jeito nenhum. Houve divergências que não envolviam o Davi”.

No caminho até o estacionamento do Parque da Juventude pai e filho pareciam totalmente integrados. Davi no colo, agarrado ao pescoço do pai que depois ajeitou cuidadosamente o menino na cadeirinha instalada no banco de trás do veículo.

Parabéns, Danilo Cardoso. O mundo precisa de “multipais”.

Professor Poli não esconde a satisfação de ter continuidade em nova geração

Um professor de Matemática. Aos 67 anos, esta parece ser a definição predileta de si mesmo para José Luis Poli, empresário bem-sucedido no ramo da Educação e pai de três filhos. No dia 20 de julho, esse pai, filho de Itatiba recebeu o título de Cidadão Benemérito, iniciativa do prefeito Thomás Capeletto. O discurso de agradecimento emocionou a todos os presentes à cerimônia no Teatro Ralino Zambotto, quando tentava explicar que o reconhecimento tinha um significado extremo para um modesto professor de Matemática. Essa pode ter sido a raiz, mas a árvore cresceu. Os ramos principais estavam na plateia, observando orgulhosos o homem colhendo frutos da trajetória.

Foto: Cid Barboza

Professores vocacionados sempre enxergam os alunos como filhos em potencial. E a recíproca é verdadeira. No núcleo familiar, quando olha os filhos Carolina, 32, Nicolau, 27 e Olívia, 23, e os netos Beatriz, 15 e Miguel, 6, filosofa que “a paternidade é uma oportunidade de continuidade da sua geração”. Mesmo encarando com muita seriedade a ‘função’ de pai, sucumbe à velha máxima de que os avós têm, sim, o direito de estragar um pouco a criação dos netos, respeitando as áreas demarcadas, já que “cabe aos pais estabelecer a disciplina”.

A conversa fluiu despretenciosa no Shopping Itatiba, onde o professor Poli foi cuidar de documentação no Poupatempo e recebeu o Jornal de Itatiba.

Software atualizado

Os tempos de agora exigem aberturas de diálogo. Para manter essa trilha funcionando bem, os pais devem estar atentos porque os filhos sempre vão em busca de coisas novas, analisa o professor, que entrega outro ingrediente da receita: apoiar as escolhas dos filhos de modo a que se sintam livres para voar, assim como o pai dele reagiu ao saber de seu desejo pelo estudo da Matemática.

A escolha, o empenho e um inacreditável golpe de sorte levaram à criação do Grupo Anhanguera, um projeto idealizado em parceria com o também professor Antonio Carbonari Neto, em 1994, para facilitar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior. O então prefeito da cidade de Leme, Luiz Marchi, gostou do projeto e cedeu um prédio da prefeitura por 99 anos para a instalação da faculdade. Em contrapartida, 5% das vagas seriam destinadas a estudantes de Leme. O grupo ganhou o país. Antes disso, o Cidadão Benemérito havia trazido para Itatiba o Grupo Objetivo, que hoje, é o Colégio Elite.

Em meio a essa trajetória, os filhos encontraram seus caminhos. Carolina é farmacêutica e estuda psicologia; Nicolau, administrador de empresas, toca os negócios imobiliários da família; Olívia é empreendedora no ramo de Marketing Digital.

Foto: Cid Barboza

Administrar diferenças

O professor Poli sabe da importância, mas afasta a máxima de que sucesso tem de ser traduzido, sempre, em saldo na conta bancária. Entende que união familiar e amizades potentes também são bases de sustentação para uma vida de bons significados e resultados. São assuntos que gosta de dividir com a esposa Cláudia Fontanesi Poli, uma professora que optou por deixar o magistério para cuidar da prole.

Questionado se é possível harmonizar conversas políticas em família diante de tantos confrontos e divisionismos, ele mostra que pai tem o dever segurar ímpetos. E quando os ânimos ficam tensos com as mais diversas opiniões e tendências é hora de simplesmente tirar o assunto da pauta. Atualmente a política desune e está tóxica. Neste cenário a preocupação é de que todos continuem juntos, sentencia o patriarca.

Foto: Cid Barboza

Almoço celebração

Neste domingo (13), Dia dos Pais, a família estará mais uma vez reunida. “Comida na mesa é dividir, no bom sentido. A mesa é o local para conversar e ser feliz. Vamos nos reunir, filhos, netos, noras, sogros, sogras, genros. Devo ganhar tênis e camisetas, como de costume”.

Por Cid Barboza – Fotos: Cid Barboza