Alimentação no verão: equilíbrio, hidratação e leveza para enfrentar o calor
Com a chegada do verão, a rotina alimentar costuma mudar. O calor intenso afeta o apetite, aumenta a sede e, muitas vezes, desorganiza horários e escolhas à mesa. Nesse cenário, manter uma alimentação equilibrada é essencial não apenas para a saúde, mas também para o bem-estar e a disposição ao longo do dia.
Para entender quais cuidados merecem mais atenção nesta época do ano, o Itatiba Hoje conversou com a nutricionista Carolina Ponsoni, que destacou erros comuns, estratégias práticas para o dia a dia e a importância de uma relação mais leve com a comida durante os meses mais quentes.
Quais são os erros mais comuns na alimentação durante o verão?
Segundo Carolina Ponsoni, o verão é marcado por excessos e desequilíbrios alimentares. Entre os principais erros está o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, frituras, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas. Esse padrão pode sobrecarregar o organismo e favorecer quadros de desidratação, indisposição e desconfortos gastrointestinais.
Outro comportamento frequente é pular refeições por causa do calor. A nutricionista explica que essa prática pode levar à queda de energia, irritabilidade e até episódios de compulsão alimentar mais tarde. Além disso, muitas pessoas acabam negligenciando a hidratação adequada, acreditando que apenas beber água é suficiente, quando, na verdade, a alimentação também tem papel importante nesse processo.
Como montar refeições leves, práticas e nutritivas nos dias quentes?
Com o calor, é comum que o apetite diminua ou que o hábito de “beliscar” aumente ao longo do dia. Para Carolina, a chave está no equilíbrio aliado à praticidade. Ela reforça que refeições leves não precisam ser pobres em nutrientes.
Uma boa estratégia é apostar em pratos coloridos e frescos, como saladas completas com folhas, legumes, uma fonte de proteína — como ovos, frango, peixes, grão-de-bico ou tofu — e uma gordura boa, como azeite ou abacate. Preparações frias ou mornas, bowls, wraps, sanduíches naturais e marmitas simples ajudam a manter uma alimentação organizada mesmo nos dias mais quentes. Manter uma rotina mínima de refeições, ainda que em menores volumes, contribui para a saciedade e para níveis adequados de energia.
Quais alimentos ajudam na hidratação além da água?
A hidratação vai muito além do consumo de água pura. Carolina destaca que alimentos ricos em água contribuem significativamente para a hidratação corporal. Entre eles estão frutas como melancia, melão, abacaxi, laranja, morango e kiwi, além de legumes e verduras como pepino, alface, tomate e abobrinha.
Esses alimentos podem ser incluídos de diversas formas no dia a dia: em saladas, sucos naturais, vitaminas, lanches ou até como sobremesa. A nutricionista também cita a água de coco, chás gelados sem açúcar e preparações como gelinhos de fruta como alternativas interessantes para variar o consumo de líquidos e estimular a hidratação ao longo do dia.
Como manter uma alimentação equilibrada no verão sem dietas restritivas?
Para quem deseja aproveitar o verão sem entrar em dietas rígidas, Carolina reforça a importância de abandonar a lógica do “tudo ou nada”. Segundo ela, uma alimentação equilibrada precisa permitir flexibilidade, já que momentos sociais, sorvetes, churrascos e refeições fora de casa fazem parte da vida.
O foco deve estar na constância, e não na perfeição. Priorizar alimentos in natura no dia a dia, respeitar os sinais de fome e saciedade, comer com atenção plena e manter uma boa hidratação já fazem uma grande diferença. A nutricionista alerta que dietas muito restritivas tendem a ser insustentáveis e podem prejudicar tanto a saúde física quanto a relação com a comida.

Quem é a nutri Carolina Ponsoni?
Carolina Ponsoni é nutricionista e iniciou sua trajetória profissional na área da Biomedicina, onde atuou por cerca de sete anos em ambiente hospitalar, especialmente em banco de sangue. Apesar da experiência, sentia frustração na profissão e decidiu mudar de área.
A escolha pela Nutrição veio de uma vivência pessoal. Desde a infância, Carolina conviveu com transtornos alimentares, o que marcou sua relação com a comida por muitos anos. Essa experiência despertou o desejo de oferecer aos pacientes aquilo que sentiu falta: acolhimento, empatia e escuta sem julgamentos. Hoje, seu trabalho é baseado em embasamento científico, respeito à individualidade e na promoção de saúde, bem-estar e um emagrecimento possível, saudável e duradouro, sempre com mais leveza na relação com a alimentação.
Por Lívia martins/Itatiba Hoje – Foto: Tina kids photo/Adobe Stock

