De química a empresária: a história de Franciele Bitencourt e a força feminina por trás das academias Panobianco em Itatiba
Abrir um negócio próprio já costuma ser um passo cercado de dúvidas. Fazer isso em plena pandemia parecia, para muitos, uma aposta arriscada demais. Para a empresária Franciele Bitencourt, porém, foi justamente o início de uma trajetória de sucesso que hoje inspira outras mulheres a acreditarem no próprio potencial.
Proprietária de franquias da rede de academias Panobianco em Itatiba, Franciele não começou sua carreira no mundo fitness. Formada em Química pela Unesp, construiu toda a sua trajetória profissional na área científica, dando aulas e atuando em consultorias laboratoriais.
A mudança de rumo aconteceu em 2019, quando decidiu deixar Campinas e se mudar para uma chácara da família em Itatiba. Foi nesse momento que uma situação comum do dia a dia acabou despertando uma oportunidade de negócio.
“Eu fui procurar uma academia para treinar, com um padrão parecido com a que eu frequentava em Campinas, que era da Panobianco. Mas não encontrei nada com aquela proposta aqui na cidade. Foi quando pensei: se abrisse uma unidade aqui, ela iria estourar”, relembra.
A ideia parecia ousada, mas ganhou forma rapidamente. Ao entrar em contato com a franquia para cancelar seu plano antigo, Franciele recebeu uma proposta inesperada: havia um ponto disponível em Itatiba, mas ainda sem franqueado. “Eu respondi na hora: então você acabou de achar”, conta, rindo.
Empreender contra a maré
Se empreender já exige coragem, o contexto tornaria o desafio ainda maior. A academia foi inaugurada em outubro de 2020, em pleno período de pandemia. Enquanto muitos negócios enfrentavam dificuldades ou até encerravam atividades, Franciele apostava em um novo empreendimento. “Parecia que eu era a única louca remando contra a maré. Enquanto todo mundo estava fechando, eu anunciava que estava abrindo uma academia”, lembra.
Além da incerteza econômica, havia ainda os protocolos sanitários rigorosos e o fato de ela estar entrando em um setor totalmente novo para sua experiência profissional. “Eu saí do laboratório onde trabalhava em Campinas e passei a me dedicar 100% à academia. Ficava lá das cinco da manhã até tarde da noite. Ao mesmo tempo, meus filhos estavam em casa sem aula. Foi um período extremamente desafiador.”
Apesar disso, o resultado superou as expectativas. Segundo a empresária, o negócio foi um sucesso desde o primeiro dia.
Competir é evoluir
Com o passar dos anos, o mercado fitness em Itatiba cresceu e novas academias surgiram. Para Franciele, esse movimento natural do mercado trouxe outro tipo de desafio: manter a competitividade. “Quando abri, era uma novidade na cidade. Com o tempo começaram a surgir novas academias e franquias de qualidade. O maior desafio passou a ser manter o aluno com você.”
A estratégia para isso envolve investimento constante. Renovação de equipamentos, atualização das aulas e qualificação da equipe fazem parte da rotina da empresária.
Mas, para ela, existe um diferencial que vai além da estrutura. “O que faz diferença hoje é o atendimento. A academia não é só um lugar para treinar. É um ambiente onde as pessoas criam vínculos, fazem amizades e frequentam todos os dias. Quando você conhece o aluno pelo nome, entende as necessidades dele e cria esse acolhimento, isso muda tudo.”
Muito além da estética
No dia a dia das academias, Franciele também observa de perto o impacto que a atividade física tem na vida das mulheres. Segundo ela, os benefícios vão muito além da aparência. Exercícios regulares contribuem para a saúde física, para o equilíbrio mental e para a autoestima.
“A mulher faz mil coisas ao mesmo tempo: trabalha, cuida da casa, dos filhos, da família. Muitas vezes acaba esquecendo de si mesma. A atividade física ajuda justamente a lembrar que ela também precisa ser prioridade.”
Uma história para inspirar
Hoje, alguns anos depois daquele início cheio de incertezas, Franciele vê sua trajetória ganhar novos capítulos. A empresária já trabalha na construção de sua terceira unidade da academia.
Quando olha para trás, lembra das pessoas que duvidaram da ideia no começo. “Muita gente falou que eu era louca e que não daria certo”, conta.
Se pudesse deixar um conselho para outras mulheres que sonham em empreender, a mensagem é simples e direta: “Arregassem as mangas, deixem o medo de lado e vão. Se você estudar, se dedicar e acreditar no que está fazendo, não tem nada que uma mulher não consiga.”
E a história de Franciele mostra que, às vezes, uma decisão considerada “louca” pode ser exatamente o primeiro passo para construir algo grande.
Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Foto: Arquivo pessoal

