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Pedro Hauck coloca Itatiba entre os grandes nomes do montanhismo mundial

Itatibense alcança 71 cumes diferentes acima dos 6 mil metros nos Andes e assume a segunda colocação mundial entre os maiores conquistadores de “seismiles”

Uma trajetória iniciada entre os blocos de granito da Serra da Jurema, em Itatiba, alcançou um dos principais patamares do montanhismo internacional. O montanhista e geógrafo Pedro Hauck, de 44 anos, chegou a 71 cumes diferentes acima dos 6 mil metros de altitude na Cordilheira dos Andes e passou a ocupar a segunda posição mundial entre os maiores conquistadores de “seismiles”.

A marca foi consolidada durante uma intensa temporada de expedições no Peru. Hauck alcançou inicialmente o cume do vulcão Coropuna, a 6.425 metros de altitude, registrando sua 70ª montanha distinta acima dos 6 mil metros nos Andes. Logo depois, o itatibense escalou o Amparo, de 6.288 metros, ampliando a contagem para 71 cumes.

O desempenho coloca Pedro Hauck atrás apenas do argentino M. G. K. Serantes no ranking histórico de montanhistas que conquistaram o maior número de montanhas independentes acima dos 6 mil metros na América do Sul.

A classificação é baseada nos critérios estabelecidos pelo geógrafo e cartógrafo britânico John Biggar, autor de The Andes: A Guide for Climbers e uma das principais referências mundiais na catalogação das montanhas andinas.

O levantamento considera a proeminência topográfica de cada elevação para diferenciar uma montanha independente de um cume secundário pertencente ao mesmo maciço. De acordo com esses critérios, a Cordilheira dos Andes possui entre 100 e 115 montanhas consideradas “seismiles”.

Foto: Divulgação

História começou na Serra da Jurema

Muito antes de enfrentar o frio extremo, os glaciares e a escassez de oxigênio das grandes altitudes, Pedro Hauck teve seus primeiros contatos com o montanhismo em Itatiba, sua cidade natal.

Ainda adolescente, ele frequentava a Serra da Jurema, uma das áreas naturais do município. O local possui grandes blocos de granito, conhecidos no montanhismo como boulders, que serviram de cenário para as primeiras experiências do futuro montanhista.

“Comecei a trilhar no montanhismo com cerca de 17 anos de idade. Antes disso, já havia tido algumas experiências, mas não podia ir para a montanha com muita frequência, pois eu vivia no interior de São Paulo, onde, primeiro, não há montanhas e, depois, porque restam poucas áreas de natureza original onde possamos desfrutar nossa liberdade”, relembra.

Foi justamente em um dos blocos mais altos da Serra da Jurema que Hauck teve seu primeiro contato com técnicas da modalidade, em 1994.

“Um destes poucos lugares ‘mais ou menos’ preservados era, para mim, a Serra da Jurema, que fica na minha cidade natal, Itatiba. Lá é um local onde afloram vários boulders de granito e foi em cima de um dos mais altos que, pela primeira vez, tive acesso às técnicas do montanhismo”, conta.

Nos anos seguintes, Hauck ampliou suas experiências em outros pontos do interior paulista, como Atibaia, onde foi registrado durante uma escalada em 1999. Aos poucos, as formações rochosas da região deram lugar aos grandes desafios dos Andes e do Himalaia.

Foto: Divulgação

Frio extremo no Coropuna

Localizado na região de Arequipa, o Coropuna é considerado o maior vulcão do Peru. O maciço possui um vasto platô de gelo, calotas glaciais e diferentes cumes, características que tornam a escalada complexa e exigem planejamento, resistência física e precisão na navegação.

A investida de Pedro Hauck foi marcada por temperaturas extremamente baixas e intenso desgaste físico. Após concluir a ascensão e retornar à cidade de Arequipa, o montanhista relatou o impacto da expedição.

“Foi muito frio e muito cansativo. Cheguei a Arequipa bastante cansado”, afirmou.

A escalada do Coropuna também reforçou a intensidade da temporada vivida pelo itatibense. Somente em 2026, ele já alcançou 25 montanhas, todas acima dos 5 mil metros de altitude.

O número evidencia uma rotina dedicada quase integralmente ao montanhismo de alta altitude, entre expedições pessoais, projetos de exploração e trabalhos profissionais como guia.

Foto: Divulgação

Ascensões independentes e longas aproximações

A trajetória de Pedro Hauck se diferencia não apenas pela quantidade de cumes conquistados, mas também pela variedade de montanhas exploradas. Cada novo destino exige pesquisas, reconhecimento de terreno, organização logística e adaptação às condições específicas de clima e altitude.

Grande parte das ascensões foi realizada de maneira independente e autônoma. Em algumas expedições, Hauck adotou o estilo conhecido como by fair means, expressão traduzida como “por meios justos”, com o mínimo possível de suporte externo.

Em montanhas como Aconcágua, Mercedário, Ramada, Toro e Tupungato, o montanhista enfrentou longas aproximações sem o apoio de mulas ou estruturas comerciais.

No Aconcágua, maior montanha das Américas, Hauck realizou tanto a rota normal quanto o trajeto conhecido como 360. As experiências acumuladas durante mais de duas décadas contribuíram para sua formação técnica e psicológica.

Total de ascensões chega a 129

Além das 71 montanhas distintas acima dos 6 mil metros conquistadas nos Andes, Pedro Hauck acumula dezenas de repetições em cumes onde atua profissionalmente como guia por meio da agência Soul Outdoor.

Entre os destinos mais frequentes estão o Aconcágua, na Argentina, o Ojos del Salado, localizado na fronteira entre Chile e Argentina, e o Huayna Potosí, na Bolívia.

Quando essas repetições também são contabilizadas, o itatibense soma 129 ascensões a cumes acima dos 6 mil metros.

O número demonstra a experiência de Hauck em diferentes ambientes de alta montanha, com variações de clima, terreno, dificuldade técnica e condições de aproximação.

Experiência no Himalaia

Embora o novo marco esteja relacionado à Cordilheira dos Andes, a carreira de Pedro Hauck também inclui expedições em algumas das maiores montanhas da Ásia.

O itatibense possui experiência em picos de 6 mil, 7 mil e 8 mil metros no Himalaia. Entre os principais feitos está a conquista do Spantik e do Himlung, que o tornou o primeiro brasileiro a alcançar o cume de duas montanhas asiáticas com mais de 7 mil metros de altitude.

Hauck também participou de uma expedição ao Manaslu, no Nepal, montanha com mais de 8 mil metros situada na chamada “zona da morte”, região onde a baixa concentração de oxigênio torna a permanência humana extremamente arriscada.

Por Eduardo Micheletto/Itatiba Hoje – Fotos: Divulgação