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Comércio de Itatiba pronto para receber o consumidor nas compras de fim de ano

Diretor da Aicita lembra que associação tem cursos para aprimorar o trabalhador

Na reta final para as festividades de final de ano, o comércio em Itatiba busca crescimento das vendas. Quem fez um planejamento meses atrás tem mais possibilidade de alcançar essa meta. É o que diz Robson Ugliani, diretor comercial da Aicita (Associação Industrial e Comercial de Itatiba, que também engloba o setor de Serviços). Segundo ele, a entidade tem dado suporte para os associados encontrarem soluções criativas no processo de captação de clientela e atendimento gabaritado.

Foto: Cid Barboza

“O Natal é a data mais significativa do comércio. A gente tem, continuamente, a campanha institucional “Itatiba Eu Compro Aqui”, ressaltando a importância da geração de emprego e renda na cidade, fortalecendo o comércio local. Os impostos gerados revertem em melhorias para a população. É importante essa conscientização do consumidor itatibense de valorizar a cidade”.

Foto: Cid Barboza

Capacitação e novidades

A respeito das estratégias do comércio para atrair e fidelizar o consumidor, Robson Ugliani diz ser um questionamento que sempre apresenta nas reuniões da Aicita, porque não basta fazer campanha pedindo ao consumidor que valorize o comércio se o comércio, em contrapartida, não investe, não traz novidade, não qualifica o seu pessoal. E para suprir essa lacuna, a Aicita tem oferecido muitos cursos de qualificação, de atendimento, de abordagem, de vendas on-line, para fortalecer e preparar o comércio não só para o atendimento presencial nas lojas. Estão no horizonte cursos sobre como vender utilizando redes sociais, como whatsapp, instagram, facebook para que o comércio esteja preparado para atender esse cliente onde quer que ele esteja, em qualquer dos canais que ele procure os produtos ou serviços. “Que o consumidor encontre o que procura e seja convencido de que vale a pena comprar aqui”. sugere o diretor da Aicita.

Os associados têm comprado essas ideias e mandado pessoal para os cursos, cuja procura em alta ensejou a abertura de turmas extras em alguns casos. É preciso esclarecer, no entanto, que deixar as ações de qualificação de pessoal para a última hora pode comprometer o resultado esperado.

Foto: Cid Barboza

Black Friday não é bicho-papão

A Black Friday tem, sim, um componente de antecipação de compras de Natal, mas como acontece praticamente um mês antes, não tem um impacto preocupante porque se a compra é feita muito antes ficam questões como impossibilidade de troca, analisa Robson Ugliani.

Segundo ele, nesse caso a maioria das pessoas compra para elas mesmas. “As megaliquidações de saldo de balanço, em janeiro, pesam mais nas vendas pré-natalinas. O uso de vale-presente permite que as compras sejam feitas depois do Natal, com esperança de preços mais baixos, principalmente no que diz respeito às grandes redes.

Em Itatiba, o comércio está respondendo bem às expectativas. “O pós-pandemia tem sido positivo principalmente para o pequeno e médio comerciante, que preciso buscar novos canais de venda, precisou se aprimorar, correr atrás do cliente que não podia ir até ele. Isso gerou modernização da qualificação da prestação de serviço. Hoje, celular, computador e tablet são os principais canais de comunicação entre o cliente e o comércio e o serviço. O cliente começa a jornada de compra em casa, pesquisando pelos sites e depois, se for o caso se dirije à loja. Isso tem ajudado o comércio a atingir novos clientes que não iam até a loja, trouxe um aumento de vendas, e mais qualificadas”.

Foto: Cid Barboza

Vitrines e preços

O avanço tecnológico não eliminou a importância das vitrines, classificadas como “visual merchandising”. Estar com a loja arrumada, limpa, produtos bem expostos e vitrine atrativa, sem excesso de exposição de produtos, iluminação adequada e indicação de preços faz toda a diferença. É comum as pessoas chegarem dizendo que passaram de carro ou de ônibus em frente a loja e tiveram a atenção despertada para determinado produto, conta Robson Ugliani. Esse contato visual seduz a turma que está passando pelas calçadas, ruas ou corredores dos shoppings.

A luta dos consumidores tem um limite muto bem definido, o preço. E eles invariavelmente sobem acima da inflação. Uma batalha sem vencedores. “Isso, infelizmente, é uma tendência mundial que se intensificou desde o início da pandemia. Até 2019 havia o reajuste acompanhando a inflação. Isso foi alterado e trouxe um fenômeno preocupante: o risco da volta da inflação. Os jovens de hoje não vivenciaram a época da hiperinflação e o quanto ela impacta o dia a dia e por isso não têm essa preocupação. Um governo que não combate firmemente a inflação prejudica principalmente os menos favorecidos, que não conseguem acompanhar os reajustes de preços. Os comerciantes trabalham com uma margem e desde a pandemia essa margem teve de ser diminuída. O custo subiu muito e ficou dificil repassar itegralmente para o cliente. Os salários não acompanharam”. Feitas essas considerações, o diretor da Aicita mantém o otimismo. “Esse ano tem sido um pouco melhor do que o ano passado. Todo ano, o primeiro semestre costuma ser mais fraco e o segundo melhora. Curiosamente, esse ano tivemos um primeiro semestre muito bom”.

Foto: Cid Barboza

Terceira idade vai às compras

Sobre o público, o mais consumidor é na faixa de 30 a 50 anos, pessoas economicamente ativas, com responsabilidades familiares. O público jovem aproveita a facilidade dos cartões de crédito fornecidos pelos provedores, com liberdade de escolha, mas limitação de gastos. Educação financeira é importante.

O pessoal da terceira idade é o grupo que mais cresceu. A pessoa sabe o que quer, o que gosta, não se deixa influenciar por tendências, modismos, é mais consciente, mais segura. Os jovens acima de 60 têm muito mais autonomia, consomem com mais segurança. E muitos ajudam os filhos, gostam de presentear os netos. Crianças e jovens adoram ir às compras com os avós.

Foto: Cid Barboza

Serviço também é presente

Hoje, a Aicita tem mais associados ligados a serviços do que ao comércio. A força dos prestadores tem se mostrado muito grande e isso vem da pandemia.

Serviços envolvem, por exemplo, advogados, dentistas, artesanato (é um produto personalizado, por encomenda, é a tradução de um produto que o cliente está buscando de forma personalizada e daí saber entender a necessidade do cliente), curso de línguas.

Nesta época do ano também cresce a procura por serviços. A entrega de uma cesta de produtos envolve tanto o serviço como o produto em si.

Tradicionalmente, vestuário é o setor mais forte (roupas, calçados e acessórios) no quesito presentear. Perfumaria e cosméticos aparecem em segundo lugar e eletroeletrônicos, celulares, também são bastante procurados.

Um movimento detectado pela Aicitsa indica que no segmento de serviços, salões de beleza surfam com alegria a onda da proximidade das festas propriamente ditas, como Natal e Ano Novo, e também as confraternizações que as antecedem. Unhas, cabelos, maquiagem, roupas e sapatos novos adquirem um caráter de primeira necessidade e movimentam bastante o setor.

Presentear com massagens, terapias sejam corporais ou cognitivas, cursos e similares tem se tornado cada vez mais comum. Pessoas que perderam o emprego buscaram nesse segmento alternativa para gerar renda. A oferta aumentou e foi inserida no rol de alternativas.

Foto: Cid Barboza

Contratações caem

Quem adiou a busca por uma colocação fixa ou temporária no mercado de trabalho encontra agora um cenário menos favorável. É que o comércio começa a contratar em setembro, outubro, para que em dezembro esse funcionário já tenha recebido treinamento. As contratações feitas às pressas, à véspera da melhor fase do comércio podem ser um tiro no pé do empresário que terá em seus quadros uma pessoa menos preparada.

Em Itatiba, o nível de emprego acompanha o ritmo do país como um todo, concorda Robson Ugliani, lembrando que o Brasil está com a melhor taxa de emprego desde 2013, quando era de 12%, 13%. Dados recentes registram uma taxa de desemprego na casa de 7%. Ele lamenta que os associados da Aicita reclamam das dificuldades para o preenchimento dos quadros de pessoal.

Por Cid Barboza – Fotos: Cid Barboza