CidadeDia das MãesUniverso Feminino

Saúde Mental Materna: Sinais de alerta e importância do acolhimento

Identificar sinais de sofrimento psíquico e oferecer apoio são ações essenciais para preservar a saúde mental de mães no ciclo gestação-puerpério

A saúde mental materna necessita de atenção constante, especialmente durante o ciclo gestação-puerpério, quando as mudanças físicas e emocionais tornam as mulheres mais vulneráveis a adoecimentos psíquicos. Reconhecer sinais de alerta e oferecer apoio podem ser ações fundamentais para prevenir agravamentos e promover bem-estar.

Doula e consultora de amamentação, Vanessa Sanfins destaca papel de acolhimento para mães. Foto: Acervo pessoal

Em Itatiba, a discussão sobre saúde mental materna ganha força com a campanha Maio Furta-cor, que inclui uma extensa programação durante o mês das mães. Voluntária da campanha, a médica psiquiatra Aline Silveira, especializada em neurociência aplicada e saúde da mulher, vai conduzir dois eventos importantes para a rede pública municipal. O primeiro será nesta segunda-feira (12/5), ao lado da psicóloga perinatal Karin Godoy. Em iniciativa promovida pela Escola de Governo e Secretaria de Educação, as especialistas vão palestrar sobre o tema “Saúde Mental Materna: Direito de todas.”

Já no dia 17 de maio (sábado), às 9h30, Aline vai liderar a roda de conversa intitulada “Mãe, e Mulher: A Importância de Preservar a Própria Identidade”, no Caismi – Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher de Itatiba. O bate-papo abordará os principais desafios emocionais enfrentados por mães e destacará a importância de preservar a identidade pessoal no processo de maternar. Em seguida, Karin Godoy promove a oficina Varal de Vozes, uma oportunidade de desabafo para mães.

Principais adoecimentos psíquicos

A psiquiatra Aline Silveira observa um aumento expressivo de mães enfrentando quadros de ansiedade, depressão perinatal e esgotamento materno em Itatiba. “É um adoecimento silencioso: a mulher continua cuidando de tudo, mas por dentro está no limite. Esse ciclo entre gestação e puerpério é repleto de vulnerabilidades: físicas, hormonais e emocionais. E quando falta acolhimento, escuta e apoio real, o sofrimento psíquico se instala”, alerta a psiquiatra.

Transformações físicas e emocionais

A médica destaca que a gestação é uma experiência intensa e complexa, que impacta tanto o físico quanto o emocional da mulher. “É comum haver ambivalência: felicidade e medo, amor e angústia. Quando essas emoções não têm espaço para serem vividas, por vergonha, culpa ou falta de acolhimento, a mulher acaba se sentindo isolada. Esse isolamento emocional pode abrir caminho para adoecimentos”, explica Aline.

Médica psiquiatra Aline Silveira participa de bate-papos pela campanha Maio Furta-cor. Foto: Acervo pessoal

Sinais de alerta e como ajudar

O puerpério, que muitas vezes é subestimado, merece atenção especial, segundo a psiquiatra: “Alguns sinais de alerta importantes são: tristeza persistente, sensação de não estar conectada ao bebê, crises de choro, irritabilidade intensa, insônia mesmo com o bebê dormindo, culpa desproporcional e pensamentos de inadequação. É essencial que os familiares estejam atentos e acolham sem julgamento. Buscar ajuda profissional é um ato de amor e cuidado, não de fraqueza”.

Aline reforça que a preservação da identidade da mulher após a maternidade é fundamental para sua saúde mental. “A maternidade deve ser um ponto de reencontro, não de anulação. Na palestra do dia 17, vou discutir caminhos para esse resgate, respeitando os limites e as fases de cada mulher. Afinal, maternar com amor não é esquecer de si”, conclui.

Rede de apoio e suporte emocional

Doula, consultora de amamentação e educadora perinatal, Vanessa Sanfins traz sua experiência sobre a importância da rede de apoio para as mães. “A rede de apoio é um verdadeiro colo para a mãe. No momento em que tudo muda – o corpo, a rotina, a identidade – ter pessoas por perto que escutem, ajudem no dia a dia e validem o que ela sente faz toda a diferença”, afirma Vanessa, que também é voluntária da campanha Maio Furta-cor. Ela reforça que, em Itatiba, grupos de apoio presenciais, como os encontros mensais para gestantes e recém-mães na Casa Rosa da Mulher, têm fortalecido essa rede.

Impacto da amamentação

Sobre os desafios da amamentação, Vanessa observa que eles podem impactar significativamente a saúde emocional: “As dificuldades para amamentar o bebê podem gerar frustração e sensação de fracasso. Acolher com leveza significa ouvir essa mãe com empatia e respeitar seus desejos. A mãe não quer que alguém ofereça uma mamadeira para seu filho, ela precisa que alguém a ensine a amamentar”.

Vanessa também pontua que os fatores emocionais do início da maternidade, como insegurança, culpa e cansaço extremo, podem impactar o vínculo mãe-bebê: “O turbilhão hormonal e as cobranças internas e externas afetam a forma como a mulher enxerga a si mesma e o vínculo com o bebê. Um vínculo seguro se constrói na presença amorosa, não na perfeição”, enfatiza.

Acolhimento e autocuidado

Vanessa finaliza com uma mensagem importante: “Gostaria que todas as mães soubessem que elas também merecem cuidado. Que estar vulnerável não é sinal de fraqueza, mas parte do processo de renascimento como mãe. Há redes, profissionais e outras mães dispostas a acolher com empatia e amor”.

Por Camila de Magalhães – Fotos: Acervo pessoal