CidadeDia das Mães

Entre fardas, decisões e abraços: a maternidade que fortaleceu uma policial militar

Ser policial militar exige atenção constante, preparo emocional e decisões rápidas. Ser mãe também. Para a policial militar Camila Dourado, os dois universos passaram a caminhar lado a lado de maneira ainda mais intensa depois da chegada dos filhos gêmeos.

No especial “Mãe tem cara? As diversas formas de maternar”, Camila representa as mães que vivem a maternidade em meio à rotina imprevisível da segurança pública, equilibrando responsabilidade profissional, sensibilidade e a vontade diária de voltar para casa em segurança.

Rede de apoio para sustentar a rotina

Camila conta que conciliar os plantões e a dinâmica da Polícia Militar com a criação dos filhos é um desafio constante. A imprevisibilidade da profissão exige disponibilidade e organização, especialmente quando a rotina familiar também depende dela.

“Muitas vezes me vejo em situações em que só posso contar com a compreensão dos meus superiores em relação ao trabalho e, no âmbito familiar, poder contar com a minha rede de apoio ajuda muito”, relata.

Segundo ela, o suporte da família faz toda a diferença para enfrentar os dias mais corridos e conseguir equilibrar os diferentes papéis que assume diariamente.

Voltar para casa ganhou outro significado

Foi depois da maternidade que a responsabilidade da profissão passou a ter outro peso. Camila afirma que cada decisão tomada durante o trabalho passou a ser acompanhada por um pensamento constante: o de voltar para casa em segurança para reencontrar os filhos.

“Preciso voltar para duas pessoinhas que dependem de mim e me esperam ansiosas chegar em casa”, conta.

Acostumada a agir com cautela e estratégia nas ocorrências, ela percebe que o senso de responsabilidade se intensificou ainda mais após se tornar mãe. “Na Polícia Militar sempre somos orientados a agir com sabedoria e calcular movimentos e ações. Depois de ter filhos, pra mim, isso triplicou”, explica.

A maternidade também ampliou sua sensibilidade diante das situações vividas na profissão. Em determinadas ocorrências, Camila diz que é impossível não se colocar no lugar de outras mães.

“Os filhos vêm para somar”

Apesar da rotina intensa, Camila acredita que a maternidade não precisa representar um obstáculo para mulheres que sonham em seguir carreira na segurança pública.

Para ela, é importante que outras mães não sintam medo de escolher os dois caminhos. “Não pensem que abrirão mão do seu sonho de carreira em ter filhos porque os filhos vêm para somar”, afirma.

Ela também destaca o orgulho que sente ao perceber o olhar admirado dos filhos diante da profissão que escolheu. “O orgulho no olhar deles em ter uma mãe policial compensa tudo.”

No fim, Camila enxerga uma ligação profunda entre ser mãe e ser policial. “O senso de justiça, o desejo por defender o bem e tentar tornar o mundo melhor para que os filhos possam viver bem no futuro.”

Entre a farda, a coragem e os abraços no fim do dia, ela mostra que maternar também pode ser um ato diário de proteção.

Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Foto: Arquivo pessoal