Foco

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A quem devemos tudo

Nós somos filhos dos filhos dessa terra.

E a eles não estamos honrando como deveríamos.

Devemos nossas origens, nossos costumes, nossa cultura, nossa história.

E o que entregamos? Desde que suas terras foram tomadas no dito “descobrimento”, ofertamos apenas sofrimento, desrespeito e descaso.

Assim lidamos, dia após dia, com nossos povos originários. Na última semana, o genocídio do povo yanomami saltou aos olhos da sociedade e da mídia brasileira, mas, infelizmente, a destruição causada por políticos inescrupulosos, empresários gananciosos e garimpeiros não afeta apenas esse povo. Afeta todas as comunidades que vivem, a todo momento, o desespero de ver suas casas invadidas e destruídas. Afeta famílias que estão morrendo de fome, de sede e sem cuidados.

Qual seria a sua reação se estranhos adentrassem a sua residência, roubassem tudo o que há de mais valioso, estuprassem sua mulher e filhos e, se não bastasse, levassem sua comida, deixando para trás apenas um rastro de destruição? Pois é exatamente isso que está acontecendo. Estão fazendo isso com nossos irmãos de terra e de pátria.

Onde estão os autointitulados patriotas nesse momento? Pelo visto há uma distinção entre “mais brasileiro” e “menos brasileiro”. Onde estão os defensores da vida? Da família? Provavelmente estão fechando os olhos para a realidade, para a barbárie e abrindo as portas para a ignorância.

E nós, que sentimos na alma a dor da negligência, o que fazemos? Só podemos contribuir com a nossa parte, esperar que os novos esforços surtam efeito e que, de uma vez por todas, aqueles que estavam aqui desde o princípio tenham a vida digna que tanto lhes é merecida.

Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Foto: Mário Vilela/Funai