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Mãe: a alegria que supera obstáculos

A maternidade transforma: confira os relatos emocionantes de mães itatibenses

Fotos: Arquivo Pessoal e Cid Barbosa

Hoje é o Dia das Mães, é hora de homenagear essas mulheres incríveis que desempenham diferentes papéis em nossa sociedade. Para celebrar essa data especial, conversamos com mães de diferentes profissões e áreas de atuação, desde médicas e empreendedoras até professoras, motoristas, primeiras-damas, advogadas, presidentes de ONGs e garis.

Cada uma delas compartilhou suas experiências únicas de maternidade e como conciliam sua vida profissional e pessoal. Essas mulheres inspiradoras mostram que, independentemente da profissão, a maternidade é uma das maiores responsabilidades e bênçãos da vida.

Antonia Aparecida Domingues. Foto: Cid Barbosa

Da roça para as ruas da cidade, com dignidade e orgulho de ter criado os filhos

Antonia Aparecida Domingues, 64, tem forte representatividade quando se trata das mães brasileiras que assumem o comando da família e mantêm um legado de integridade. O Itatiba Hoje a encontrou em pleno expediente, às 7h de quarta-feira, dia 10. Ela é gari e varria a Rua Jorge Tibiriçá, na altura do shopping, no centro da cidade. Simpática, ela demonstrou surpresa e alegria com a abordagem. Contou que tem três filhos: Gisele, de 42 anos, Rodrigo, de 38 e Juliana, 37. Cuidou de todos sozinha depois que o pai foi embora quando a caçula estava completando 4 anos.

Acostumada com a lida na roça desde a infância, Antônia decidiu encarar o desafio de trabalhar como gari, na primeira turma quando o serviço foi implantado há uns 30 anos. Foi assim que esta mãe cuidou dos filhos. “A dureza do trabalho de gari não é muito diferente do trabalho na roça”, ensina. Realizado o projeto de compra de um imóvel, hoje ela mora num conjunto da CDHU, no bairro Erasmo Crispim, espaço que divide com o filho Rodrigo e a nora.

Apesar de ter se aposentado há 4 anos, continua trabalhando como gari. Ajuda na renda e é melhor do que ficar em casa. Começa a jornada às 6h20 e encerra às 14h40, há 21 anos varre sempre nas mesmas ruas do centro de Itatiba durante a semana. Eventualmente trabalha aos domingos, conforme a escala.

Quando comenta a trajetória de vida, considera ter superado os problemas com dignidade. Sente-se amada. A comemoração do Dia das Mães ficará mais uma vez a cargo das filhas e da nora. “Elas dizem que será surpresa, mas a gente vai ter um almoço, talvez um churrasquinho, como sempre”, prevê com um sorriso e contando com a presença dos seis netos e do bisnetinho.

Jaqueline Galvão Bolsanelli. Foto: Arquivo pessoal

Trabalhar, empreender e ser mãe: vários papéis em um única mulher

Jaqueline Galvão Bolsanelli, de 43 anos, equilibra a vida de empresária, mãe e esposa com maestria, mas segundo ela, nem sempre foi assim. “Trabalhei 22 anos na Indústria Têxtil. Meu esposo há seis anos abriu a Motoativa, uma de revenda de motos aqui na cidade, e há três anos ele me convidou para auxiliar no desenvolvimento da empresa. Foi aí que conversamos e, mesmo sendo uma decisão difícil, deixar toda minha vida profissional foi, sem dúvidas, a opção mais sábia.”.

Desta forma, Jaqueline, que sempre se importou muito com sua vida profissional, conseguiu realizar outros sonhos, como passar mais tempo com seu filho Felipe, hoje com 13 anos, levá-lo na escola e participar mais de seu dia a dia.

Jaqueline comentou, também, como a maternidade mudou sua vida. “A maternidade sempre vai me cobrar em ser uma pessoa melhor, em fazer todos os meus dias serem melhores para meu filho, isso eu me espelho muito na minha mãe, uma mulher forte que criou suas 3 filhas com muito amor e hoje tem sua família unida”.

Mas e o trabalho? Este, na visão dessa mãe empreendedora, não é um vilão, mas sim um incentivo para estar sempre atenta e ativa. “O trabalho me tornou mais responsável, batalhadora e sem dúvidas me deixou mais forte para a vida. Estar à frente dos desafios me faz uma pessoa mais corajosa para lidar com diversas situações”.

Perguntamos a ela qual a melhor parte de ser mãe e, sem pestanejar, nos respondeu que “é a conexão que você tem em um sorriso, em um olhar e saber o quanto você é seguro pra ele. É receber um abraço sem pedir, e escutar inúmeras vezes o M E sabendo que agora você é a mãe. E quando vejo que suas manias são exatamente as minhas, sei o quanto preciso melhorar a cada dia”.

Thaissa Penteado. Foto: Arquivo pessoal

Medicina e maternidade: a combinação que deu match

Thaissa Penteado, dermatologista em Itatiba – e com muito orgulho de manter suas raízes aqui – sempre sonhou em ser dermatologista. “Com 15 anos fui estudar em Campinas para fazer o colegial e depois fiz faculdade de medicina na USF em Bragança Paulista. No meu segundo ano de medicina meu pai faleceu e por isso me mantive morando aqui na cidade para ficar perto da minha família. Meu sonho desde criança era ser médica e sempre quis ser dermatologista”

Para ela, no início, não foi fácil conciliar a medicina com a vida pessoal, mas quando tudo é feito com amor tudo fica mais tranquilo, relatou. Além disso, com a maternidade, mais uma realidade teve que ser incluída nesta conta.

“Não é fácil conciliar a medicina com a maternidade. Tive muitos momentos de conflito comigo mesma até encontrar o meio termo e entender que é possível ser mãe e trabalhar fora. No tempo que estou com a minha filha a dedicação sempre foi integral, aproveito férias, fins de semana e feriados para curtir muito”.

E os desafios da maternidade real? Mesmo parecendo tudo lindo, Thaissa compartilhou a sua realidade. “A maternidade não é esse romance de novela. Temos muitos desafios e eles são diários , mudam com a idade dos filhos mas eles sempre existem e vão nos acompanhar. Temos que aprender a lidar com eles e a ser resiliente”.

Mesmo assim, a maternidade veio para transformar a médica. “Depois que me tornei mãe penso que renasci. Tenho certeza que me tornei uma filha, uma médica e uma amiga melhor. A maternidade nos transforma no nosso interior![…] Para mim, a melhor parte de ser mãe é o amor incondicional. Ele é puro e verdadeiro”.

Eliana Sampaio. Foto: Arquivo pessoal

Dirigindo para um futuro melhor

O cuidado no trânsito sempre despertou a admiração de quem convive com Eliana Sampaio, de 45 anos. Natural de Irajuba – BA, ela é motorista em Itatiba há 10 anos. Incentivada por uma amiga, iniciou sua carreira pensando na condução de escolares, para conciliar seus horários com os dos filhos.

“Ao chegar na autoescola eu me identifiquei com o ônibus e mudei a minha categoria. Trinta dias após fazer o exame prático, eu já estava contratada. [Nesta profissão] a maior dificuldade são os horários e escalas, que são diferentes das outras profissões, e isso acaba dificultando um pouco conciliar com a minha vida pessoal. É um desafio e superação diários, não é fácil, mas é o que eu amo fazer. Isso me ajuda muito a superar [os problemas], e ver a responsabilidade e os perigos de uma forma mais leve”.

Eliana nos contou que sua vida mudou muito depois que foi mãe. “Eu tenho dois filhos: a primogênita que tem 17 anos, que nasceu quando eu tinha 28 anos, e o meu filho que hoje tem 11 anos e nasceu quando eu tinha 33 anos. Ao me tornar mãe, mudou completamente a minha vida, minha rotina, tudo virou correria, mas é um amor infinito. É muita gratidão a Deus por receber um ser que vem preencher a nossa vida e eu tenho a missão de formá-los cidadãos que façam a diferença nessa geração”.

E ela consegue conciliar tudo isso? Claro que sim. Ela nos relatou que conta “muito com a parceria do meu esposo, e de pessoas próximas que me ajudam bastante com os meus filhos”.

Por fim, Eliana nos contou um pouco como vê seu papel de mãe. “São tantas partes boas em ser mãe, mas eu destaco o olhar, o sorriso, o abraço inesperado e saber que eles me vêem como porto seguro. Isso é maravilhoso. Quero parabenizar todas as mamães, que Deus abençoe cada uma e minha mamãe também”.

Bárbara Zaratini. Foto: Arquivo pessoal

A função mais plena: ser mãe

Bárbara Zaratini, a primeira dama de Itatiba, também participou de nossa entrevista. Mas, antes de estar nessa posição, nos contou um pouco de sua vida como advogada e, é claro, mãe.

“Sempre gostei de ler, e no final do colegial fiz alguns testes que me indicavam alguma profissão na área de humanas. Meu senso de justiça me levou ao Direito, onde me apaixonei logo de cara e, hoje, digo com certeza que amo minha profissão. Em 2006 entrei na faculdade. Durante o curso eu fiz estágio e, depois de um tempo que terminei, comecei a advogar. Fiz pós-graduação e me especializei em previdenciário e trabalhista”.

E ser mãe, quando aconteceu? A primeira dama foi mãe pela primeira vez aos 35 anos de idade, quando Matheus chegou a esse mundo, e aos 36, com a chegada da Sophia. “Ressignifiquei muita coisa depois da maternidade. Muitas coisas que eram importantes ficaram pequenas. Hoje ter meus filhos com saúde e estar com minha família é o que me basta”.

Hoje Bárbara escolheu estar com seus filhos e se dedicar ao Fundo Social de Solidariedade, conciliando, da melhor forma possível, as duas funções. “A maior dificuldade sem dúvida é a cobrança. Me sinto obrigada a dar conta de tudo e isso é o maior desafio. Entender que nem sempre isso é possível. Alguma coisa não vai sair perfeita. Mas como eu sempre digo, minha família vem sempre em primeiro lugar”.

Para Bárbara, a maternidade transforma a vida “completamente. Essa é a palavra. Ser mãe é sem dúvida minha função mais plena. A mais cansativa confesso, mas a que me dá mais prazer. Hoje entendo muitas coisas que minha mãe me fala e me pego fazendo o mesmo. Meus filhos são a razão da minha vida. Por quem eu sempre tento ser uma pessoa melhor e ser exemplo para eles”.

Mesmo com as dificuldades de conciliar a vida profissional, as ações no FSS e ser mãe, Bárbara não se arrepende em nem um segundo. “A melhor parte de ser mãe é olhar para os pequenos e se enxergar um pouco. É ver um sorriso, ver uma carinha feliz e já ganhar o dia. É estar exausta, cansada, às vezes até com vontade de chorar de tanto cansaço e olhar para eles e ver que nós somos tudo que eles têm. Que somos responsáveis por criar pessoas melhores neste mundo tão complicado que vivemos. E que um sorriso vai ser sempre a melhor recompensa que podemos ter”.

Margareth Martins. Foto: Arquivo pessoal

Educar e cuidar: isso é coisa de mãe

A professora de Educação Infantil Margareth Martins, de 59 anos, mudou de carreira para abraçar o sonho de ser mãe. “Comecei a trabalhar como telefonista, contudo sempre quis ser mãe, então procurava um emprego no qual pudesse trabalhar apenas meio período. Como havia feito magistério, prestei concurso na Prefeitura e entrei como professora da Educação Infantil. Isso foi em 1990 e me tornei mãe em 1991”.

E com uma rede de apoio, ela não teve grandes dificuldades para conciliar as duas vidas. “Até os quatro anos da minha filha, foi tranquilo conciliar a vida profissional com a maternidade, pois tinha o auxílio da minha mãe e do meu marido”.

Margareth nos contou que tudo se complicou um pouco mais tarde, mas sempre contou com apoio. “Em momentos em que tive que trabalhar o dia todo, ou mesmo quando fiz faculdade, conciliar essas duas partes foi mais difícil, mas novamente, tinha minha rede para me auxiliar com minha filha e afazeres domésticos”.

Quando questionamos sobre como encara o cuidar de outras crianças e a maternidade, ela nos surpreendeu com sua resposta. “Na verdade, muitas pessoas acham que a professora é uma figura maternal, mas isso tem que mudar. É lógico que recebemos as crianças com afeto, mas mãe e professora são dois papéis diferentes na formação dos alunos. Então, sempre tive essas duas “realidades” bem divididas e não tive problemas em exercer as duas”.

Ao fim da nossa conversa, Margareth comentou como a maternidade mudou sua vida. “Nunca mais a minha vida foi a mesma [risos]. No início você perde a sua liberdade e autonomia, pois o bebê depende de você. Depois tudo vai entrando nos eixos. Há mudanças profundas, mas passaria por tudo novamente, pois é uma experiência incrível e única. E esse ano será ainda mais especial, pois serei avó”.

Eva Lúcio. Foto: Arquivo pessoal

Ser mãe é cuidar de quem precisa

Nosso último relato é muito emocionante. Eva Lúcio, de 65 anos e membro da ONG Anjos da Paz, elevou a maternidade a outro nível. Além de criar seus dois filhos, cuidou de muitas pessoas ao longo de sua vida.

“Aqui em Itatiba, eu fui morar na Vila Querosene, que hoje é o Bairro do Galetto, Ali eu passei muita necessidade, pois chegamos sem nada. Com essa idade, não tínhamos o que comer e nem os vizinhos, então bem pequena eu já comecei a pedir para mim e para os outros. Comecei aí o meu trabalho”.

Anos mais tarde, já quando a vida havia melhorado, Eva continuou querendo ajudar. “Eu sempre passava pela praça da bandeira e via as pessoas da igreja trabalhando para ajudar as pessoas e eu pensava “onde posso fazer isso?”. Aí comecei a ser voluntária no Belém.”.

E foi ajudando que construiu sua família. “E foi quando conheci meu marido. Eu tinha 18 e ele 19 anos. Um homem que foi um presente de Deus, e já faz 45 anos que estamos casados. Compramos nossa casinha, e aí vieram os filhos. Tive o Sidnei e a Sindeléia. Esses são os três presentes que eu ganhei. Por mais que eu trabalhe, por mais que eu faça, jamais vou conseguir agradecer a Deus tudo o que ele me deu”.

Seu auxílio aos necessitados nunca parou e, ao se mudar para a Vila Centenário, Eva logo se envolveu com os trabalhos da igreja de Nossa Senhora Aparecida. “Trabalhei desde a capela. Eu continuei fazendo visitas aos necessitados, trabalhei com crianças doentes. Eu vi fome, sede, frio. Pra mim o que não dá pra ver e deixar pra lá é uma pessoa com dor, com fome e com frio”

A ONG Anjos da Paz foi uma continuidade do trabalho de uma vida toda. “O nosso trabalho é reconstruir famílias, é resgatar a dignidade das pessoas, é alimentar a esperança. É um trabalho muito sério e muito árduo, mas muito gratificante”.

E sobre a maternidade? Foi aí que Eva nos surpreendeu. “Os meus filhos são um presente de Deus. Eu também tenho uma neta maravilhosa. Ser mãe é ganhar o céu. A maternidade é algo muito sério, entra no coração e não sai mais. Eu tenho dois filhos legítimos e oito que cuidamos. Todos estudaram e estão muito bem. Quando a família não tinha condição, trazia aqui em casa. Aí quando já estavam trabalhando, voltavam para as famílias, mas continuam sendo nossos filhos até hoje. Toda a semana, todos ligam, todos se importam. Ser mãe não é só pôr no mundo, é cuidar de quem precisa”, finalizou.

Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Com colaboração de Cid Barbosa – Fotos: Arquivo Pessoal e Cid Barbosa