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Na reta final da janela partidária partidos e vereadores de Itatiba se agitam para definir a disputa

Até o dia 5 de abril parlamentares com mandato podem trocar de sigla

Foto: Augusto Schiosi/CMI

As eleições municipais se aproximam e o corre-corre em busca de acertos políticos acontece longe da percepção da grande maioria dos eleitores. Partidos querem se fortalecer, pré-candidatos fazem cálculos para encontrar a melhor posição de largada. Uma das etapas importantes, o prazo para troca de partido, conhecido como janela partidária, termina na próxima semana, no dia 5 de abril. A movimentação é intensa na Câmara Municipal de Itatiba.

O Itatiba Hoje conversou com todos os vereadores a respeito dos planos para as eleições municipais deste ano. Todos buscam a reeleição. Vale lembrar que o número de vereadores da cidade vai subir de 17 para 19 com base nos dados do recenseamento realizado pelo IBGE em 2022.

Foto: Cid Barboza

Trocas e herança

A maioria dos vereadores cogita trocar de legenda e a decisão deve ser tomada, obrigatoriamente, nos próximos dias. No entanto, já é possível confirmar mudanças importantes. O MDB, que estava sem representação no legislativo municipal, retorna ao cenário. Na última quarta-feira, 20, os vereadores Duguaca (ex-Cidadania) e José Roberto Feitosa (ex-União Brasil) confirmaram o ingresso no MDB, que tem na presidência Mayara Maia.

O vereador Duguaca conta que foi o avô dele quem trouxe o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) para Itatiba em 1976, dez anos depois da fundação do partido que era oposição ao regime militar. Duguaca não chegou a conhecer o avô, que segundo ele era conhecido pelo apelido de “Lorota” e contou com a colaboração do irmão “Papo de Corvo”, outro apelido folclórico, na empreitada política. O vereador sente como se estivesse resgatando uma herança.

O vereador José Roberto Feitosa sai do União Brasil e fica sem mandato, Ele é suplente de Flávio Monte (União Brasil), atual Secretário de Assuntos Institucionais da Prefeitura de Itatiba, que vai retomar o mandato.

William Soares confirmou que sai do Solidariedade após dois mandatos pela legenda. Ele justifica a decisão com um certo desconforto ideológico. Disse que o partido é de centro-esquerda e ele não pode mais lutar contra a própria ideologia de centro-direita. O vereador teve uma conversa franca com o presidente do Solidariedade, David Bueno, e vai para o Republicanos.

Quem também fez opção pelo Republicanos é o vereador Junior Cecon, outro a deixar o União Brasil em busca de novos ares.

Foto: Cid Barboza

Recuo no Avante

Juninho Parodi confirmou que vai deixar o Avante e segue para o PL (Partido Liberal), cuja presidência está a cargo de Paulo Eduardo Parodi, irmão do vereador. Com isso, o Avante fica sem representação na Câmara Municipal de Itatiba, a não ser que nas próximas movimentações possa surgir algum detentor de mandato disposto a ir para a legenda.

Fernando Soares, do PSDB, confirmou na terça-feira, 26, que vai para o PSD a convite do prefeito Thomás Capeletto de Oliveira. A revelação põe fim a qualquer especulação sobre a saída do prefeito do ninho tucano. Aliás, essa é uma certeza extra-oficial de 17 entre os 17 vereadores itatibenses.

Foto: Augusto Schiosi/CMI

A turma do mistério

As conversas com os políticos de todas as tendências revelam um grupo de sorriso misterioso. O veterano Roberto Penteado, do Partido Social Democrático (PSD) recorre à histórica frase do banqueiro e político mineiro, Magalhães Pinto (1909-1996) que dizia ser a política como as nuvens, em constante mudanças de forma e direção. “Por enquanto, fico no PSD”, sentencia, ao sabor dos ventos políticos.

A suplente Professora Débora ocupa a cadeira de Galo Herculano. Ela teve mandato de 2017 a 2020, mas não conseguiu reeleição. Pretende sair do Cidadania e tentar a volta ao Legislativo de Itatiba. Acredita que a bancada feminina precisa de mais representantes.

A professora Débora afirma estar sendo cortejada por nada menos do que oito partidos e por uma questão ideológica deve fechar com uma legenda de centro-direita.

O vereador Dr. Ulisses ainda é do PSD, mas a troca é uma possibilidade real a ser definida semana que vem.

A vereadora Leila Bedani finalmente confirmou, na noite desta quarta-feira, 27, que encerra a estada no PSDB. Depois de longas conversas com o prefeito ela também segue para o PSD. Fechada politicamente com Thomás Capeletto, para onde ele for ela vai.

Renascimento à vista

Outra legenda em vias de ressurgir a partir de duas adesões é o Partido Progressistas (PP). O vereador Serginho abandonou o PSDB e está no Partido Progressista.

Washington Bortolossi sai do Cidadania e demonstra otimismo com o futuro político a partir da troca de legenda. Ele vê boas perspectivas no projeto de reconstruir o PP em Itatiba. O esvaziamento do PSDB não será total. O vereador Galo Herculano, que está de licença até 10 de abril, revelou que também vai embora do Cidadania, num voo curto para o Partido da Social Democracia Brasileira. Ele garante que haverá uma revoada de filiações que devem resultar numa chapa competitiva para a próxima eleição. Com essa decisão, o Cidadania fica à míngua na Câmara Municipal.

Daqui eu não saio

Presidente da Câmara Municipal e do partido Solidariedade, David Bueno está seguro na posição que ocupa. Nem cogita mudança.

O vereador Igor Hungaro, presidente do PDT, está convicto em manter a bandeira do partido e sonha com aumento da bancada na próxima disputa eleitoral. O otimismo inclui candidatura à Prefeitura de Itatiba. Atualmente, Igor Hungaro e a vereadora Luciana Bernardo representam a legenda na Câmara Municipal. Ela também não quer saber de troca de partido e se diz totalmente envolvida pela bandeira trabalhista.

O Partido Liberal (PL), em fase de transição, deve continuar contando com o vereador Cornélio da Farmácia, que aguarda uma comunicação formal sobre a troca de comando que colocou Paulo Parodi na presidência. Ailton Fumachi, ex-presidente do PL, crê numa composição do partido com o PSD. O vereador Hiroshi Bando diz que mantém os pés firmes no PSD.

Política é sempre recheada de rumores. E um praticamente está se tornando certeza: o destino partidário do prefeito Thomás Capeletto de Oliveira. Está “todo mundo” certo de que ele disputa a reeleição pelo PSD. Por enquanto, é especulação. Dia 5 de abril está perto. E as nuvens continuam vivas no céu político.

Por Cid Barboza – Fotos: Cid Barboza e Augusto Schiosi/CMI