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Anemia falciforme: uma doença grave que precisa de atenção e conscientização

A anemia falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil, mas ainda pouco conhecida pela população. Silenciosa e perigosa, ela pode levar a complicações graves e até mesmo à morte se não for identificada e tratada adequadamente.

O que é a anemia falciforme

A doença é genética e afeta a forma dos glóbulos vermelhos do sangue. Enquanto células saudáveis são arredondadas, os portadores da anemia falciforme apresentam hemácias em forma de foice. Esse formato dificulta a circulação sanguínea, causa obstruções nos vasos e compromete a oxigenação dos tecidos e órgãos.

Como identificá-la

O diagnóstico geralmente é feito ainda nos primeiros dias de vida, por meio do teste do pezinho. Esse exame simples e gratuito é fundamental para identificar a doença precocemente.

Entre os sinais que podem chamar a atenção estão olhos amarelados, crises de dor intensa (crises vaso-oclusivas), anemia frequente, febres recorrentes e maior predisposição a infecções.

Foto: Digitale.De/Unsplash

Por que é tão perigosa

A anemia falciforme pode causar complicações graves e repentinas, como acidente vascular cerebral (AVC), infartos, sequestro esplênico (quando o baço se enche de sangue de forma abrupta, provocando queda brusca da hemoglobina) e osteonecrose (morte do tecido ósseo pela má circulação). Muitas vezes, basta uma febre alta para colocar a vida do paciente em risco imediato.

Além das crises dolorosas, a doença impacta diretamente na qualidade de vida das famílias, exigindo internações frequentes, transfusões de sangue e acompanhamento constante com especialistas.

Por que não se fala tanto sobre

Apesar de atingir milhares de brasileiros, a anemia falciforme ainda é pouco debatida. Isso se deve a uma série de fatores, incluindo preconceitos raciais — a doença é mais prevalente em pessoas negras, mas não exclusiva desse grupo —, falta de informação e desconhecimento por parte de muitos profissionais de saúde.

A ausência de campanhas de conscientização e de políticas públicas efetivas também contribui para que a sociedade não reconheça a gravidade da doença. Muitas famílias acabam tendo que lutar sozinhas para garantir acesso a medicamentos, transporte e atendimento especializado.

Quais são os melhores tratamentos

O tratamento envolve acompanhamento multidisciplinar, com pediatras, hematologistas e enfermeiros preparados para lidar com a complexidade da doença. Entre as principais medidas estão:

Uso da hidroxiureia, medicamento fornecido pelo SUS, capaz de reduzir crises dolorosas e complicações;
Transfusões de sangue periódicas, para controlar a queda da hemoglobina;
Vacinação rigorosa e acompanhamento clínico frequente, já que infecções são muito perigosas;
Monitoramento com exames de sangue regulares, que ajudam a prevenir emergências;
Em alguns casos, a retirada do baço ou até o transplante de medula óssea podem ser indicados.
Embora ainda não exista cura acessível a todos, o tratamento precoce pode prolongar a vida e oferecer mais qualidade aos pacientes.

Foto: Arquivo pessoal

A luta do pequeno Arthur e sua mãe Gabriela

No dia 3 de janeiro de 2025, nascia Arthur, filho de Gabriela Pires. A gestação foi tranquila, mas apenas alguns dias depois veio o choque: no teste do pezinho, realizado em 6 de janeiro, foi detectada a anemia falciforme. No dia 8, a família já estava na Unicamp recebendo o diagnóstico da doença grave e mortal.

Desde então, a vida de Gabriela e Arthur tem sido marcada por internações frequentes, crises dolorosas e a luta constante por atendimento adequado. “Essa doença é grave e silenciosa. Muita gente desacredita, porque por fora não aparece. Mas Arthur vive internado, precisa de transfusões, morfina para suportar as dores e até corre risco de morte em qualquer febre alta”, relata a mãe.

Em Itatiba, a dificuldade é ainda maior. Gabriela conta que muitos profissionais da rede municipal não têm preparo para lidar com a doença: “Teve vezes de eu ter que escolher a agulha para furar meu filho, porque o médico não sabia. Eles pedem que eu explique a doença, mas é ele quem precisa de socorro”.

Além do desconhecimento, faltam medicamentos e suporte básico. O hidroxiureia, essencial para Arthur, foi negado sob a justificativa de que o tratamento acontece em Campinas. O custo particular chega a R$400 por mês. “Precisei recorrer a um vereador e até agora espero resposta”, desabafa Gabriela.

Mesmo diante das dificuldades, ela agradece os poucos profissionais que não medem esforços pelo menino: o pediatra Fábio, a enfermeira Cláudia e Vanessa, do Posto do Cruzeiro.

Gabriela deixa um alerta: “A anemia falciforme não é rara, é mortal. O exame do pezinho salva vidas. O planejamento familiar é importante, porque se eu soubesse, teria feito o exame de eletroforese antes de engravidar. Essa não é só uma anemia, é luta ou luto”.

Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Fotos: Digitale.De/Unsplash e arquivo pessoal