Imóveis

Mercado imobiliário: o que esperar de 2023?

O que esperar após as eleições presidenciais de outubro do ano passado, seguida de um dos maiores eventos esportivos do planeta, a Copa do Mundo de futebol, do recesso de fim de ano e da transição de governo?

Passado todos esses eventos, o novo governo já deu sinais e algumas certezas a respeito do setor de construção civil: readotou o nome “Minha Casa, Minha Vida” para o programa de habitações populares e o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em coletiva de imprensa que o governo garantirá R$10 bilhões para investimentos e subsídios na construção de moradias para famílias de baixa renda na lei orçamentária anual (LOA).

Com essa sinalização governamental, as empresas do setor ficaram otimistas com a retomada de projetos de habitações populares, inclusive em relação à liberação de recursos do FGTS e o uso futuro deste para a compra do imóvel. Assim, compradores poderão ter uma capacidade de valor de parcela maior para fazer a aquisição do seu imóvel, além da ampliação do prazo de financiamento que passou de 30 para 35 anos de financiamento. Em caso de inadimplência, o próprio imóvel serve como garantia dessa operação e o banco poderá fazer a retomada dele.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), realizada em novembro do ano passado, avaliou o comportamento do consumidor de imóveis. A Abrainc ouviu 1.200 pessoas com renda familiar superior a R$3 mil reais e mostrou que 31% dos entrevistados desejam adquirir um imóvel nesse ano de 2023, 33% têm perspectiva de sair do aluguel e 47% pretendem comprar apartamento, por conta da infraestrutura de condomínios, despesas de manutenção do imóvel inferiores a manutenção de uma casa e, principalmente, pela segurança 24 horas que esse tipo de condomínio proporciona. Vale ressaltar que, para a compra de um imóvel através de financiamento bancário, é permitido a soma da renda de até 3 pessoas para a tomada do crédito, o que facilita muito a aquisição.

Acredito que o crescimento em maior escala virá para as empresas que se desafiarem a inovar, especialmente quando a tônica será a experiência do cliente em um modelo de negócio transparente, seguro, eficiente e que atenda não só as expectativas, como também as necessidades das famílias. Ressalto, ainda, a importância desse segmento para a economia do país: além de gerar moradias, contribui de forma significativa na geração de emprego e no crescimento do PIB.

Portanto, é um setor que, independente do governo, deve ter uma atenção especial, inclusive por parte de governadores e prefeitos, já que a construção de moradias populares por parte do Estado estão cada vez mais escassas, a população não está mais suportando os altos valores de aluguéis e a iniciativa privada já vem, há muito tempo, contribuindo para a diminuição do déficit habitacional. Assim, é preciso que haja sensibilidade dos prefeitos no sentido de contribuírem com a desburocratização dos processos, além de não “sufocarem” os empresários com altos índices de contrapartidas para o município.

Foto: Divulgação

*Fernando Perobelli é bacharel em Direito pela Universidade São Francisco, especialista em Direito Imobiliário pela Fundação Getúlio Vargas e consultor imobiliário há 25 anos. Atualmente, é diretor institucional da Árbore Engenharia.

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Por Fernando Perobelli – Fotos: Divulgação