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Profissionais de Itatiba debatem protagonismo da mulher negra

Grupo Mulheres do Brasil promoveu encontro virtual em homenagem ao 25 de Julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Na véspera do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, o Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Itatiba realizou uma live especial no Instagram com o tema “Mulher Negra: Presente na História, Protagonista do Futuro”. O encontro, realizado na noite de quarta-feira (24), reuniu convidadas com forte atuação social e política para discutir ancestralidade, resistência, racismo estrutural, políticas públicas e o papel transformador da cultura.

Foto: Divulgação

Criada em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, a data se consolidou como símbolo de luta, visibilidade e reconhecimento da contribuição histórica das mulheres negras. No Brasil, o 25 de julho também homenageia Tereza de Benguela, importante líder quilombola que resistiu à escravidão por mais de duas décadas. O mês de julho também lembra, no dia 31, o Dia da Mulher Africana, reforçando o chamado à valorização da história, identidade e protagonismo das mulheres negras no Brasil e no mundo.

A jornalista e ativista Letícia Benedito, que mediou a live, destacou a importância simbólica e política do 25 de julho: “É uma data para celebrar nossas ancestrais, lembrar de onde viemos e por que começamos a lutar. É reconhecer as contribuições das mulheres negras na luta contra a escravidão, na construção da sociedade, e também refletir sobre o quanto já avançamos — e o quanto ainda precisamos avançar. É um combate direto ao racismo, que ainda invisibiliza, violenta e mata. A sociedade inteira perde com o racismo.”

Letícia ainda reforçou que, para ela, o dia 25 é um complemento do Dia da Mulher Africana, celebrado em 31 de julho. “Começamos em África, e depois aqui na América Latina, onde mulheres negras foram trazidas à força pelo regime escravagista. Sofreram brutalmente, mas resistiram. É uma data para também reverenciar figuras como Maria Firmina, Dandara dos Palmares, Luísa Mahin e Tereza de Benguela — e tantas outras mulheres pretas, do passado e do presente, que seguem sendo voz e ação por justiça”, ressaltou a ativista.

A live contou ainda com a participação da vereadora Leila Bedani, da pedagoga e especialista em cultura afro-brasileira Marílis Rissato, da escritora, teatróloga e ativista cultural Luciana Henrique, e de Cida Costa, que atua nos Conselhos Estaduais da Condição Feminina e da Comunidade Negra de São Paulo.

Dividida em três blocos, a conversa abordou desde o apagamento histórico da mulher negra — com destaque para a ancestralidade como fonte de força e inspiração — até os desafios atuais enfrentados por mulheres negras, especialmente nos espaços de poder.

Marílis Rissato falou sobre o silenciamento da história oficial. Luciana Henrique destacou o poder transformador da arte e da literatura. Leila Bedani e Cida Costa reforçaram a urgência de políticas públicas efetivas e ações concretas que garantam equidade racial e de gênero.

A transmissão foi marcada por falas potentes de resistência, esperança e convocação à ação. As participantes encerraram convidando o público a refletir sobre a data e a se engajar com os movimentos sociais que atuam pela valorização da mulher negra em todos os espaços da sociedade.

Por Camila de Magalhães/Itatiba Hoje – Foto: Divulgação