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Câmara Municipal de Itatiba recebe exposição da EJA que valoriza cultura afro-brasileira

Mostra “Respeito não tem cor, tem consciência” integra programação do Mês da Consciência Negra e reúne obras produzidas por alunos da EJA

A exposição “Respeito não tem cor, tem consciência”, criada pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), já ocupa os corredores do Centro Administrativo Prefeito Ettore Consoline, celebrando a criatividade, o aprendizado e o compromisso de Itatiba com a valorização da cultura afro-brasileira. A mostra, parte do projeto Arte no Paço, foi inaugurada na última quinta-feira (13/11) e marca o encerramento das atividades de 2025 dentro da modalidade.

O evento contou com grande presença de estudantes, familiares e membros da comunidade escolar, reforçando o ambiente acolhedor que acompanha a EJA no município. Em sua fala de abertura, o prefeito Thomás Capeletto de Oliveira destacou o significado da iniciativa no contexto da educação inclusiva e da formação cidadã. O prefeito também elogiou o empenho dos alunos que retomaram os estudos após anos longe da sala de aula, ressaltando o papel decisivo das famílias como suporte emocional e motivacional.

Obras em exposição e momento da abertura de Respeito não tem cor, tem consciência’: mostra com trabalhos sobre cultura afro de alunos da EJA pode ser vista na Prefeitura até 15/12. Foto: Paulo Akio e Renato Jr/PMI

O público ainda acompanhou a exibição de um vídeo produzido pela Secretaria da Educação, mostrando o processo de criação das obras, desde as aulas teóricas sobre cultura afro até a execução artística. A exibição emocionou muitos dos presentes e reforçou a importância da arte como ferramenta de expressão e reconstrução da autoestima.

Na sexta-feira (14), os alunos do Programa Integrando — que fazem parte da Rede Municipal, mas não puderam participar da abertura — também visitaram a mostra, garantindo que todos os estudantes envolvidos nas atividades pedagógicas tivessem acesso ao trabalho finalizado.

Arte, identidade e valorização das raízes afro-brasileiras

A exposição reúne produções das EMEBs Profª Inês Prado Zamboni, Profª Philomena Sálvia Zupardo, Cel. Francisco Rodrigues Barbosa, Profª Nazareth de Siqueira Rangel Barbosa e Profª Guiomar Almeida Ciarbello, representando um amplo recorte da rede municipal. Participam alunos do 1º ao 9º ano que estudam em turmas da EJA espalhadas por diferentes bairros.

As obras incluem telas pintadas em acrílico e peças criadas a partir de materiais recicláveis — como tecidos artesanais, tampinhas de garrafa, bijuterias e cabelos sintéticos — que formam imagens de mulheres negras, símbolos culturais, grafismos tribais e elementos da estética africana e afro-brasileira. O contraste das cores vibrantes com a textura dos materiais deu origem a composições únicas, que chamam a atenção de quem passa pelos corredores da Prefeitura.

Foto: Paulo Akio e Renato Jr/PMI

Muitos visitantes demonstraram surpresa com a profundidade e o efeito tridimensional das obras — algumas telas simulam turbantes, colares e adereços típicos, causando a impressão de que as figuras estão saindo da moldura. Esse efeito, alcançado por meio de relevo em acrílico e objetos reais aplicados à tela, foi um dos pontos mais elogiados durante a abertura.

Para grande parte dos alunos, muitos deles trabalhadores que estudam no período noturno, participar da exposição significou mais que um exercício artístico. O projeto estimulou debates sobre identidade, pertencimento, discriminação racial e o legado das culturas africanas na construção do Brasil. A atividade também serviu para reforçar a autoestima dos estudantes, que pela primeira vez viram seus trabalhos expostos em um espaço público de grande circulação.

Significado pedagógico

A mostra é resultado de um trabalho contínuo da EJA ao longo do ano, que integra conteúdos curriculares obrigatórios, como história da África, cultura afro-brasileira e educação antirracista. As atividades foram conduzidas por professores de artes e coordenadores pedagógicos das unidades, que utilizaram recursos visuais, vídeos, músicas, literatura e debates para contextualizar as produções.

De acordo com a Secretaria da Educação, o objetivo é ampliar o repertório cultural dos estudantes e promover uma aprendizagem significativa, conectada com a realidade social de cada um deles. A iniciativa também integra o compromisso da Rede Municipal com as diretrizes da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas.

Foto: Paulo Akio e Renato Jr/PMI

Programação segue até dezembro

A exposição está aberta à visitação até 15 de dezembro, nos corredores do Centro Administrativo, e faz parte das ações oficiais do Mês da Consciência Negra em Itatiba. A mostra pode ser visitada gratuitamente durante o horário de funcionamento da Prefeitura.

1º Seminário de Boas Práticas da EJA

Complementando as ações da modalidade, a Secretaria da Educação realizará, na próxima terça-feira (25/11), o 1º Seminário de Boas Práticas da EJA, reunindo professores e gestores para troca de experiências que contribuíram para o avanço da aprendizagem ao longo de 2025.

Entre os destaques da programação estão:

  • oficina de pães e pizzas com foco em empreendedorismo;
  • projetos de letramento com uso de bilhetes;
  • aprendizagem prática em granja orgânica, integrando ciências e alimentação saudável;
  • sarau de poesias produzidas pelos estudantes;
  • relatos de atividades que ajudaram a fortalecer vínculos, incentivar permanência e elevar a autoestima dos alunos.

Por Eduardo Micheletto/Itatiba Hoje – Fotos: Paulo Akio e Renato Jr/PMI