A política em Itatiba também é lugar de mulheres
Em um espaço historicamente dominado por homens, vereadoras de Itatiba falam sobre representatividade, resistência e os desafios para transformar presença em influência real nas decisões do município
A presença feminina na política brasileira ainda é pequena quando comparada à masculina, mas cresce gradualmente. Em Itatiba, a atual legislatura da Câmara Municipal conta com três mulheres entre os vereadores: Luciana Bernardo, Leila Bedani e Roselvira Passini.
A participação feminina no Legislativo não se resume a ocupar cadeiras. Para as vereadoras, trata-se de garantir espaço para experiências, vivências e prioridades que historicamente tiveram menos visibilidade na política institucional.

A força da representatividade
Para a vereadora Luciana Bernardo, a principal mudança provocada pela presença feminina na Câmara é a representatividade. Ainda que o número de mulheres eleitas esteja distante do ideal, ela acredita que o simples fato de haver diferentes vozes femininas no Legislativo já produz efeitos importantes.
Segundo ela, a atual composição da Câmara, com três vereadoras que possuem bandeiras e posicionamentos distintos, permite que mulheres da cidade se reconheçam e se sintam representadas no espaço político.
“A mudança mais concreta é da representatividade, mesmo que ainda esteja muito abaixo do necessário. Hoje com três vereadoras cada uma com bandeiras e filosofias políticas diferentes, permite que as mulheres se sintam representadas e se enxerguem na Câmara e na política”, afirma.
Para Luciana, a presença feminina também contribui para qualificar debates sobre temas que impactam diretamente a vida das mulheres. Na avaliação da vereadora, essa vivência direta faz diferença no debate público e ajuda a ampliar a compreensão sobre determinadas demandas sociais. “Então o fato de termos mulheres na Câmara muda e muito a dinâmica das políticas públicas no sentido positivo e efetivo das discussões”, completa.

Novos olhares e novas prioridades
A vereadora Leila Bedani também acredita que a presença feminina altera a forma como a política é pensada e conduzida. Para ela, durante muito tempo o Legislativo foi um espaço em que os homens chegavam com maior facilidade, impulsionados por tradições culturais e incentivos sociais.
“O Legislativo, por muito tempo, foi um espaço onde os homens já chegavam com uma trajetória mais ‘natural’ de inserção política por cultura, por crenças e até por incentivo social. A mulher, em muitos casos, está ocupando esse espaço agora, aprendendo na prática”, afirma.
Ainda assim, Leila observa que a participação feminina tem provocado mudanças concretas na dinâmica da Câmara e na formulação de políticas públicas. “Quando a mulher entra na política, ela faz acontecer. Ela traz pautas que, muitas vezes, não eram tratadas com a mesma urgência e profundidade, como proteção, prevenção, acolhimento e fortalecimento de redes.”
Entre avanços e resistências
Apesar das mudanças já percebidas, as vereadoras reconhecem que ainda existem barreiras importantes para que a participação feminina na política seja plenamente consolidada.
Para Luciana Bernardo, um dos principais desafios é o reconhecimento efetivo das mulheres como protagonistas na política. “Falta os homens perceberem que o espaço na política é nosso por direito”, afirma.
A vereadora também chama atenção para um aspecto recorrente em ambientes políticos e institucionais: a diferença de credibilidade atribuída às falas de homens e mulheres. “Infelizmente a fala de um homem tem muito mais credibilidade mesmo quando falamos a mesma coisa”, observa.
Por isso, ela defende que as mulheres precisam afirmar constantemente sua presença e legitimidade no espaço político. “Estamos aqui. Nos aceitem, somos vereadoras também”, afirma.
Estrutura e orçamento para políticas públicas
Para Leila Bedani, a questão da representatividade também precisa avançar para além da ocupação de cadeiras. Segundo ela, a presença feminina deve ser acompanhada de condições institucionais que garantam a efetividade das políticas públicas. “Não basta ter mais mulheres na política e apresentar projetos. É preciso garantir influência real, e isso passa diretamente por prioridade e orçamento”, afirma.
Leila destaca que Itatiba já registrou avanços importantes nos últimos anos, como a reativação do Conselho da Mulher e o trabalho desenvolvido pela Casa Rosa da Mulher.
Segundo ela, o espaço tem desempenhado um papel relevante no acolhimento e no fortalecimento de mulheres que enfrentam situações de vulnerabilidade ou violência.
Política também é lugar de mulheres
Quando o assunto é incentivar novas lideranças femininas, as duas vereadoras destacam a importância da participação das mulheres na vida pública.
Para Luciana Bernardo, a política pode ser um ambiente difícil, mas não é muito diferente de outros espaços enfrentados pelas mulheres na sociedade. “As mulheres precisam entender o seguinte: a política é um lugar hostil, mas que lugar não é hostil conosco? O mundo é hostil conosco e na política não é diferente”, afirma.
Apesar das dificuldades, ela acredita que a presença feminina nos espaços de poder é fundamental para transformar realidades. “Nós precisamos estar naquele lugar, precisamos acreditar que fazemos sim a diferença e que podemos melhorar o mundo estando nesse espaço de poder”, diz.
Participação que transforma
Leila Bedani também defende que a participação feminina na política vai muito além da disputa por cargos eletivos. Para ela, o envolvimento das mulheres pode começar em diferentes frentes da vida pública.
“A mulher é extremamente necessária na política. Não só para ocupar um cargo, mas para participar dos projetos, trazer ideias, propor soluções e transformar vidas”, afirma.
Segundo a vereadora, acompanhar a política local, participar de iniciativas comunitárias e se envolver em projetos também são formas importantes de atuação. “A gente não pode ficar só assistindo o problema passar, vendo uma notícia negativa e se sentindo impotente. A política precisa virar ação”, diz.
Para ela, mudanças profundas passam necessariamente pela educação e pela formação de novas gerações. “Educação e consciência mudam realidades”, resume.

Uma trajetória marcada pela causa animal
Além de Luciana Bernardo e Leila Bedani, a atual legislatura da Câmara Municipal também conta com a vereadora Roselvira Passini. Administradora de empresas aposentada, construiu sua trajetória pública principalmente a partir da defesa dos direitos dos animais.
Nos anos 2000, fundou a ONG Abrigo Pitukinha, iniciativa que se tornou referência no Estado de São Paulo em projetos de resgate, acolhimento, castração e adoção responsável de animais.
Atualmente em seu segundo mandato, Roselvira mantém como foco a ampliação das políticas públicas voltadas ao bem-estar animal e a conscientização das novas gerações sobre a importância do cuidado responsável com os animais.
Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Fotos: Divulgação

