Foco
Este dia das mães é diferente de todos os outros. É o dia em que não mais observo a maternidade de fora como uma mera espectadora, mas a sinto e a vivo intensamente. Caro leitor, estou me tornando uma mãe e, com isso, percebo todos os bônus e ônus que esta jornada tem a oferecer. Mas, acima de tudo, a maternidade me fez perceber uma verdade dolorosa: todos estavam mentindo.

A imagem da mulher grávida como uma deusa da fertilidade, com uma aura de perfeição em volta de si, é uma grande farsa. Durante as 40 semanas que antecedem o nascimento de um filho, o corpo e a alma de uma mulher mudam de maneira impressionante. Nossos pés incham, nossa barriga pesa, nossos movimentos se tornam estranhos e nosso corpo todo dói. Há enjoos, diversas idas ao banheiro e as noites são longas e difíceis. São marcas que ficam em nossa pele e em nossa alma, para sempre.
Mas, por que ninguém fala sobre isso? Por que a maternidade tem que ser perfeita, idealizada, sem adversidades? Por que sentimos que é proibido reclamar, como se fosse uma ofensa ou uma ingratidão pelo milagre concedido de gerar uma vida?
A maternidade é um desafio diário. É uma jornada que nos transforma de maneira radical. Não há nada fácil nela. Mas, sim, há algo muito bom nela: o amor. O amor de mãe é incondicional e infinito. É um amor que, ao ser colocado à prova, revela mulheres reais, que enfrentam dificuldades e lutas diárias.
Descobri que sou muito mais forte do que pensava. A mulher que existia antes da gestação morreu e deu lugar a uma nova, muito mais serena, paciente e guerreira. E é essa mulher, com um amor imenso dentro de si e com uma força descomunal, que quer lutar, quer ver mudanças, quer um mundo melhor.
Então, para este dia das mães, proponho que não haja mais mentiras. Não soframos em silêncio e sozinhas. Não tentemos ser perfeitas. Sejamos apenas mulheres, incríveis e corajosas, que falam sobre suas adversidades, que se apoiam e se consolam, e que, acima de tudo, são mães que se entregam e que, sim, amam seus filhos. É hora de quebrar o tabu da maternidade perfeita e abraçar a realidade de uma vida transformada pelo amor.
Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Foto: Nathan Dumlao/Unsplash

